Dataprev anunciou medidas de cortes de gastos. Foto: Mirian Fichtner/divulgação

A Dataprev vai fechar 20 filiais espalhadas pelo país, com a meta de demitir 493 empregados, 15% do quadro total da estatal de tecnologia.

Serão fechadas as operações no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

As filiais afetadas geram receitas de menos de R$ 2,5 milhões ao ano, para gastos anuais de R$ 93 milhões.

Ficarão ativas apenas sete unidades da Dataprev, localizadas no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, onde a estatal tem data centers e no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, onde estão instalados centros de desenvolvimento. 

Além do centro de dados, o Rio de Janeiro também tem um centros de desenvolvimento. 

As demissões serão feitas por meio de um programa que oferecerá pacotes de até R$ 300 mil, considerando verbas rescisórias e incentivos de desligamento. 

Com o programa, a expectativa é de uma redução anual de R$ 93 milhões na folha de pagamento e gastos operacionais da Dataprev com payback em 7,6 meses.

Com as medidas, a Dataprev visa enxugar os gastos, que aumentaram 21% nos últimos três anos, enquanto a inflação foi de 10% e a receita cresceu apenas 10% no mesmo período.

Criada em 1974 para prestar serviços de processamento de dados para a Previdência Social, a Dataprev está na primeira fila de empresas a serem privatizadas pelo governo federal, junto com o Serpro, uma empresa de perfil parecido ligada ao Ministério da Economia.

O fechamento das filiais é a primeira medida de impacto que vem a público por parte da Dataprev.

A estatal é presidida por Christiane Almeida Edington, ex-CIO da Telefônica Brasil.

Christiane foi CIO da Telefônica Brasil por oito anos, até abril de 2016. No período, foi uma profissional de destaque, tendo sido escolhida CIO do ano para América Latina pela Oracle em 2011.

A profissional fez carreira no setor de telecomunicações, começando na Telebahia, uma das estatais de telecomunicações que veio a formar mais adiante a Telefônica no país. 

Christiane passou 10 anos na empresa, onde chegou a ser gerente de infraestrutura. Já na Telefônica, no comando da TI, Christiane participou da fusão com a Telemig Celular.

A estatal fechou 2018 com um lucro líquido de R$ 150,6 milhões, aumento de 10% se comparado a R$ 136,7 milhões obtidos em 2017.

O Serpro também está se mexendo. No final do ano passado, a estatal começou a cadastrar fornecedores para desenvolvimento de software em uma ampla gama de tecnologias, preparando o que parece ser um movimento de terceirização para o ano que vem.

Em nota, a estatal federal de tecnologia explica que a ideia é subcontratar a parte "braçal” do desenvolvimento para “ganhar fôlego na realização da transformação digital do governo brasileiro”.

As medidas anunciadas devem tornar Serpro e Dataprev mais atrativas para um eventual comprador. A venda tem avançado em outros campos também.

Em dezembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou uma avaliação afirmando que Serpro e Dataprev poderiam manter seus contratos com o governo assinados sem exigência de licitação até o término dos mesmos, mesmo se forem privatizadas.

A privatização não significa necessariamente a venda total das estatais.

Em alguns casos, o governo pretende manter uma participação acionária ou parte do ativo. Para cada uma dos projetos está sendo estudada uma modelagem, segundo explicou ao G1 a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier.