O fabuloso software de comunicação de Amelie Poulain.
A França vai migrar todo o setor público para a plataforma estatal de videoconferência Visio, substituindo serviços como Zoom, Teams, Webex e Google Meet até o final de 2027.
Quando concluída, a migração deve mover 100 mil usuários para o Visio, uma aplicação desenvolvida e hospedada em servidores no país.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia e Finanças como parte do esforço mais amplo da França para fortalecer sua soberania digital.
O governo afirma que o uso de plataformas estrangeiras expõe comunicações oficiais a infraestrutura, legislações e pressões políticas externas que o país prefere evitar.
A medida tem também um impacto financeiro, com uma economia em licenças estimada em € 1 milhão por ano.
A ideia é que o Visio tenha funcionalidades competitivas com os concorrentes americanos, incluindo transcrição automática e legendas ao vivo, sem enviar o áudio para nuvens de terceiros.
Esse é um aspecto chave, porque tentativas de governos de migrar para ferramentas alternativas costumam afundar no descontentamento dos usuários.
Ferramentas de comunicação e produtividade como o Visio são apenas uma pequena parte de uma grande discussão nos países da União Europeia, que buscam formas de reduzir a dependência de tecnologia dos Estados Unidos, em meio ao tumulto geopolítico atual.
Uma pesquisa recente do Gartner apontou que 61% dos CIOs e líderes de tecnologia europeus querem aumentar o uso de provedores de nuvem locais. Cerca de metade (53%) afirmou que a geopolítica limitará o uso de provedores globais no futuro.
Acontece que criar um concorrente para empresas como essas não é exatamente fácil: de fato, a Europa já tenta isso há alguns anos sem sucesso. Hoje, 70% do mercado de nuvem do Velho Continente está nas mãos de players americanos.
O temor não é infundado. De acordo com o Cloud Act, uma lei americana, as autoridades do país podem obrigar provedores americanos de nuvem a fornecer acesso a informações, independentemente de onde esses dados estejam armazenados no mundo.
No verão passado, altos executivos franceses da Microsoft, falando sob juramento numa CPI do Senado francês, admitiram que a empresa não poderia garantir que dados de cidadãos franceses não seriam transmitidos ao governo dos EUA, caso recebesse uma ordem judicial legalmente válida.
