Angela Gheller, diretora de manufatura, logística e agroindústria da Totvs.

A Totvs vem fazendo nos últimos meses um movimento de revitalização do sistema de gestão Datasul, com resultados significativos como a entrada do ERP na nuvem dentro do modelo SaaS, além de melhorias na interface, usabilidade e novas funcionalidades.

Vale lembrar: passados 13 anos, a compra da Datasul por R$ 700 milhões em 2008 ainda é o maior negócio da história da Totvs (atualização: não mais, a Totvs comprou a RD Station por R$ 1,8 bilhão). 

A base total de clientes Datasul chega a 1,6 mil empresas, muitas delas organizações de grande porte que estão entre os usuários médios e grandes da Totvs, cuja base total chega a 40 mil nomes.

A Totvs vem fazendo as mudanças no Datasul (ou no Totvs Backoffice - Linha Datasul, na nomenclatura interna da empresa) atuando de maneira próxima a 90 clientes dentro da metodologia de Design Thinking. 

A maior parte deles é do segmento de manufatura, que sempre foi a base forte da Datasul, mas também participam clientes dos segmentos de logística, agronegócio e saúde. 

A Totvs vem realizando encontros virtuais com grupos, de acordo com a parte do software que está na pauta. Do lado da empresa, 60 profissionais estão envolvidos em tempo integral no projeto.

O processo já resultou na atualização de 17 processos críticos, que depois são disponibilizados para a base geral de clientes.

Um exemplo é o chamado Cockpit Contábil, uma interface HTML mais amigável para o usuário final que resultou na eliminação de 30 telas diferentes em relação ao modelo anterior. 

Além dos processos web, o Cockpit incorporou novas funcionalidades, como um aplicativo, calendário fiscal configurável e um portal para representantes, entre outras. Em três meses, 300 clientes adotaram a novidade.

“Estamos criando um ERP digital, mais aderente às demandas de uma nova geração de usuários. As novas funcionalidades surgem de pesquisas realizadas com os especialistas do negócio”, afirma Angela Gheller, diretora de manufatura, logística e agroindústria da Totvs.

Gheller começou a carreira nos anos 90 como analista de sistemas da Logocenter, outra empresa adquirida pela Totvs, e acompanhou diversas abordagens em torno do tema evolução da base de produtos nos últimos anos - assim como o Baguete.

No começo da década passada, quando a empresa ainda fazia grandes releases de versões, o tema era a migração para o que então era chamado de Totvs 11. 

Alguns anos depois surgiu o Fluig, uma plataforma rodando em cima do backoffice dos diversos ERPs, entregando funcionalidades de colaboração, por exemplo.

A movimentação atual em torno do Datasul, no entanto, foi precedida de uma alteração técnica significativa: desde o ano passado, o software está rodando pela primeira vez na nuvem e sendo oferecido no modelo como serviço da Totvs, o Intera.

Pode parecer um fato trivial em 2020, mas não é bem assim. A Datasul lançou seu primeiro ERP com o advento da microinformática, no final da década de 80, e os softwares foram desenvolvidos em linguagem de programação e bancos de dados Progress, tecnologias das quais a empresa segue segundo uma das maiores clientes no Brasil.

A demora o ERP da Datasul para a nuvem é uma combinação da dificuldade técnica de fazer essa tecnologia rodar em um novo ambiente e também da resistência da base de usuários em manufatura em adotar computação em nuvem, um problema de todos os fornecedores no mercado.

A Totvs aprendeu a ser cautelosa com a base Datasul. No começo da década de 10, confrontados com uma grande atualização para o Totvs 11, muitos deles que começaram com o Datasul quando pequenos e já eram então organizações de porte, optaram por migrar para outros fornecedores, como a SAP.

Ao longo dos últimos anos a Totvs realizou uma migração da sua base de clientes para o modelo de software como serviço, o que significa também que grandes upgrades são coisa do passado e que a abordagem agora é evolução incremental e constante.

Essa migração custou resultados ruins para a Totvs em 2016, quando a empresa diminuiu o faturamento pela primeira vez, além de crescimentos baixos em 2017 e 2018, mas é hoje a base de um modelo mais estável, com a receita recorrente representando 80% do total de tecnologia e com software como serviço já representando 65% das novas vendas no último trimestre.

Os números também melhoraram muito. A Totvs fechou o ano passado com uma receita líquida de R$ 2,59 bilhões, uma alta de 13,8% frente aos resultados de 2019. É o melhor crescimento anual da Totvs em mais de uma década, ficando atrás só dos 15,6% obtidos em 2009.