Robert Enslin era um veterano da SAP.

Robert Enslin, um veterano com 30 anos de SAP e há dois anos responsável pela divisão de nuvem da multinacional alemã, está de saída da da empresa.

Enslin era integrante do board da empresa e estava à frente de ofertas como  SAP Concur, SAP Ariba, SAP Fieldglass, SAP Customer Experience, SAP SuccessFactors e Qualtrics.

Muitos desses negócios são produtos de aquisições nas quais a SAP colocou literalmente bilhões. 

Só a Qualitrics, uma startup especializada em tecnologia de pesquisa de satisfação de consumidores e empregados, custou € 8 bilhões.

Enslin, que chegou a ser especulado como um sucessor para o CEO, Bill McDermott, é o segundo integrante do board a deixar a empresa nas últimas semanas, depois de executivo global de serviços e suporte, Bernd Leukert. Também saiu o CTO, Bjoern Goerke.

Em nota, a SAP disse que Enslin pediu para sair em busca de uma nova oportunidade. O jornal alemão Haldelsblatt, a maior publicação de economia do país, aponta que o boato é que o executivo vai para o Google.

O Google, aliás, anda a mil quando o assunto é roubar executivos de ponta dos players mais tradicionais do mercado corporativo. 

Nos últimos meses, contratou dois executivos de alto gabarito da Oracle: Thomas Kurian, ex-presidente de desenvolvimento de produto e Amit Zavery, VP de Oracle Cloud Platform (PaaS), Middleware, Analytics e Java.

Em janeiro, a SAP anunciou planos de dar uma sacudida na sua equipe, substituindo 4,4 mil funcionários, como parte de um esforço para fortalecer sua posição no mundo de computação em nuvem e simplificar o organograma.

A empresa deve promover um plano de incentivo a aposentadoria, a um custo total estimado de US$ 1 bilhão.

Mesmo assim, a SAP espera crescer o seu headcount em 2019 apesar dos cortes, passando de cerca de 96 mil para 100 mil, mesmo depois de ter aumentado a base em 9% em 2018.

É a primeira grande sacudida no RH da SAP desde 2015. A empresa não deu maiores detalhes sobre em que países deve ser implementada a estratégia.

No ano fiscal 2018, a SAP teve um faturamento de €24,7 bilhões, uma alta de 5%.

A SAP está atravessando um momento de transição entre vendas de licenças de software por assinaturas de produtos na nuvem, causando um problema de migração de receitas comum em empresas de software da velha guarda.

A venda de licenças de software caiu 1%, mas ainda representa a maior parte do faturamento, com €15,6 bilhões no ano fiscal, enquanto as vendas de nuvem sobem 33%, mas representam só um terço disso, ao redor de €5 bilhões.

McDermott disse que a meta é triplicar as vendas de cloud até 2023.

Uma das questões que surge nesse tipo de migração é a necessidade de fazer uma mudança de perfis interna.