Milhares de condomínios estão atrasados nessa foto. Foto: Pexels.

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A Superlógica, uma das maiores empresas de software para gestão de condomínios do Brasil, montou uma operação financeira, pela qual vai assumir a cobrança de moradores inadimplentes com as prestações do seu condomínio.

Em nota, a informa que vai pagar os valores devidos, menos uma “taxa de serviço”, assumindo depois os custos e os riscos de cobrar os devedores.

Com perdão do trocadilho, é um modelo de negócio super lógico para a Superlógica.

O mercado potencial é enorme: segundo a empresa, nos últimos 10 anos o percentual de quem não paga em dia a taxa condominial se manteve sempre alto, entre 14% e 18%. 

A pandemia do coronavírus não deve ter ajudado a reduzir a inadimplência, pelo contrário.

O resultado é que os moradores que pagam em dia precisam contribuir com valores maiores para cobrir o buraco, enquanto o condomínio não se decide a ir para as vias judiciais contra os devedores, o que nem sempre é fácil.

“Com o novo produto, temos o potencial de mudar esse cenário, porque o síndico não precisará arrecadar mais do que precisa para pagar as contas, já que sabe exatamente quando e quanto irá receber o valor”, comenta Carlos Cêra, CEO da Superlógica.

Além do mercado potencial, a Superlógica tem toda a informação necessária para estabelecer uma taxa de cobrança competitiva, pelas informações que tem acumuladas sobre os condomínios (a empresa atende 45 mil condomínios, que transacionaram R$ 14 bilhões em 2020).

A empresa não chega a abrir quais são as taxas que vai cobrar, prometendo apenas “taxa zero” para condomínios com “poucos mal pagadores” e um valor “bem abaixo do custo atual do condomínio com a inadimplência” para os demais.

A meta é atender metade do mercado brasileiro endereçável, o equivalente a 100 mil condomínios, em até quatro anos. Cerca de um quarto da população do país mora em condomínios.

O principal risco do novo negócio é adiantar o dinheiro para os condomínios e não conseguir cobrar os devedores. A penhora da conta bancária e a perda do imóvel para o pagamento de condomínio precisam ser decididos pela justiça.

Por outro lado, as punições para os devedores também são reguladas por lei, limitadas a multa de 2%, juros de 1% ao mês, mais correção pela inflação do período atrasado.

Com a informação que tem disponível, a Superlógica pode minimizar o risco com taxas mais altas, além de ter a opção de passar os devedores adiante para outras empresas na cadeia alimentar do setor de cobrança.

Por fim, a empresa tem dinheiro próprio para bancar a espera: no ano passado, a Superlógica captou R$ 300 milhões do fundo norte americano de private equity Warburg Pincus.

Em 2019, a Superlógica fechou uma fusão com a Base Software, especialista em software para gestão de imobiliárias e administradoras de condomínios. Juntas, as companhias esperavam uma receita de R$ 100 milhões em 2019.

Além da Superlógica, empresa que oferece software de gestão, faz parte do grupo a fintech PJBank, uma plataforma de serviços financeiros.