Sede da Procempa em Porto Alegre.

O diretor-técnico da Procempa, Michel Costa, entregou sua carta de exoneração para o prefeito Nelson Marchezan no final da manhã desta quarta-feira, 09.

Costa, além de diretor na Procempa e presidente do conselho de administração da Carris, empresa de ônibus municipal, seria, de acordo com registros da Receita Federal, sócio da Safeconecta.

A Carris está realizando testes com a tecnologia da Safeconecta visando fazer uma futura licitação de GPS para todos os 1,7 mil coletivos do município, o que deverá gerar um contrato com valor entre R$ 9 milhões e R$ 12 milhões.

Depois que a primeira matéria do jornal Zero Hora sobre o assunto veio a público, Costa retornou perguntas enviadas pelo jornal afirmando que ele já não seria sócio da Safeconecta, uma vez que a empresa teria sido vendida para uma concorrente (a RFC, do Rio de Janeiro).

Dias depois, a ZH trouxe a revelação de que a Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage) acredita que outra empresa de Michel Costa recebeu do Daer, em 2016, R$ 422 mil de superfaturamento em um serviço terceirizado. 

Essa mesma empresa prestou serviços na campanha eleitoral de Marchezan e criou a plataforma digital que hospeda o Banco de Talentos, uma das vitrines do governo municipal.

Na avaliação de fontes ouvidas pelo Baguete, a situação de Michel se tornou insustentável e ele foi pressionado a sair. 

A saida de Costa, poucos meses depois de ser nomeado, sinaliza problemas para o futuro dos planos do prefeito na Procempa.

Durante a sua campanha, em diversas ocasiões e diferentes contextos, Marchezan mencionou a Procempa como uma empresa que gastava demais e entregava pouco.

Depois de eleito, ele nomeou para a presidência da estatal Paulo Miranda, ex-secretário Municipal da Informação e Tecnologia da Prefeitura de Curitiba.

A capital paranaense não tem uma estatal municipal de processamento de dados. Esse papel é executado pelo ICI (Instituto das Cidades Inteligentes), uma associação sem fins lucrativos focada em fornecer soluções de tecnologia para diferentes prefeituras, incluindo a capital paranaense.

Com a definição de uma política de PPPs por parte da prefeitura sendo aguardada para breve, há expectativa entre as empresas de TI na capital sobre a possibilidade de uma diminuição do tamanho da Procempa e da abertura das portas da prefeitura a fornecedores privados de tecnologia.

A situação em torno de Costa mostra que o caminho até lá pode ser mais complicado do que se esperava.