MUDANÇA

Totvs vende Bematech para Elgin

10/05/2019 08:58

Bematech foi mau negócio: adquirida por R$ 550 milhões, está saindo por R$ 25 milhões.

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A Totvs vendeu a sua unidade de hardware, criada a partir da aquisição da Bematech em 2015. O comprador foi a Elgin, um tradicional fabricante brasileiro que tem um negócio de automação comercial.

A Elgin pagou R$ 25 milhões pelo negócio de hardware da Totvs, menos de uma vigésima parte dos R$ 550 milhões que a Totvs pagou pela Bematech no fim de 2015, o que transforma o negócio em provavelmente o pior já feito no setor de tecnologia brasileiro.

A parte de software da Bematech, que inclui programas voltados principalmente para o mercado de hotelaria e food service e o Bemacash, uma solução para pequenos varejistas, não fez parte da transação.

“Temos um histórico longo de M&As bem sucedidos, com muito valor criado ao longo dos anos, mas claramente a gente não acertou 100% dos casos – e essa compra de hardware da Bematech foi um desses casos”, reconheceu o novo CEO da Totvs, Dennis Herszkowicz, durante uma teleconferência com analistas acompanhada pelo Brazil Journal.

Um dia depois da venda da Bematech, a Totvs anunciou também que está transferindo para a VTEX os 70% que detém de participação na Ciashop, empresa de e-commerce adquirida pela empresa em 2013 por um valor próximo de R$ 20 milhões (R$ 19,4 milhões e mais R$ 2 milhões por metas). 

A Totvs formou uma joint venture com a VTEX, que é líder em e-commerce no país e que pagará R$ 21,17 milhões para a Totvs pela Ciashop, um negócio menos ruim.

Com o acordo, a plataforma da VTEX poderá ser contratada através de toda a rede de franqueados e parceiros da Totvs. No processo, Mauricio Trezub, CEO da Ciashop, passa a ser um dos vice-presidentes da VTEX no Brasil.

As duas aquisições formavam parte da mesma estratégia de entrada no varejo, um segmento no qual a concorrente Linx é líder. Curiosamente, as mudanças estão sendo postas em curso por Herszkowicz, contratado no ano passado vindo da Linx, onde era CFO.

O carro chefe da Bematech são as impressoras de cupom fiscal, um negócio que anda para trás com a migração para a nota fiscal eletrônica. A Elgin, que faz de telefones até lâmpadas LED, passando para micro motores, pilhas e cabos, já tem impressoras fiscais no seu portfólio voltado a automação desde 1999.

A ideia da Totvs era colocar de mais de 5 mil revendedores da Bematech para vender também software, aumentando a entrada no tipo de pequeno cliente para quem o vendedor da impressora fiscal é o principal fornecedor de TI.

No último número específico sobre a divisão, divulgado pela Totvs no fim de 2017, o Bemacash, um produto que integrava software da Totvs com equipamento da Bematech, só tinha 7 mil clientes.

Já no ano passado, o Bemacash começou a ser vendido associada a qualquer dispositivo, de forma “agnóstica”, no jargão das empresas de tecnologia.

Enquanto os negócios de software, que respondem por quase 90% da receita da Totvs, tiveram uma margem EBITDA de 14,6% em 2018, na unidade de hardware a rentabilidade foi negativa em 3,9%. As baixas contábeis em hardware somam R$ 132 milhões.

A Totvs está deixando para trás o mundo da impressora fiscal para apostar em algo mais promissor: ser uma fintech. 

A empresa anunciou no fim de março a criação da fintech Totvs, que tem parceria com a Rede, a credenciadora de cartões do Itaú, e já começou a oferecer meios de pagamento e antecipação de recebíveis a seus clientes do varejo.

Eduardo Neubern, ex-Cielo e um executivo experiente no mercado financeiro, foi contratado como novo diretor-executivo responsável pelas iniciativas de fintech. 

“Como uma empresa de software, enxergamos uma oportunidade de atuar como uma techfin. Ou seja, podemos, a partir de soluções tecnológicas agregar ainda mais valor aos nossos atuais clientes por meio de ofertas que simplifiquem, ampliem e barateiem o acesso a serviços financeiros e ao crédito a empresas dos mais diversos setores como educação, saúde, RH e indústria”, destaca Herszkowicz.

A Totvs inclusive deve anunciar nas próximas semanas uma oferta de novos papéis na bolsa de valores para levantar entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão.

A empresa fechou o primeiro trimestre do ano com uma receita líquida de R$ 563,5 milhões, o que representa um crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2018, sinalizando a volta para o ritmo do crescimento pré-crise econômica. 

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