Parte da produção global de automóveis e motocicletas foi suspensa. Foto: divulgação.

A Honda, uma das mais importantes fabricantes automotivas do mundo, e a Natura, empresa brasileira de cosméticos, anunciaram que sofreram ataques cibernéticos nesta semana.

No caso da Honda, parte da produção global de automóveis e motocicletas foi suspensa por conta da suspeita de um ataque de ransomware no servidores internos da empresa.

Segundo a agência Reuters, o suposto ataque afetou a produção da Honda globalmente na última segunda-feira, 8, forçando algumas fábricas a interromper as operações, pois a empresa precisava garantir que seus sistemas de controle de qualidade não fossem comprometidos.

A produção foi retomada na maioria das instalações nesta terça-feira, 9, mas a principal fábrica da empresa nos Estados Unidos, localizada em Ohio, continua paralisada, assim como as do Brasil, Turquia e Índia, pois o ransomware teria prejudicado os sistemas de produção.

Já a Natura, que também detém as marcas Avon e The Body Shop, informou que sofreu um incidente cibernético em seu ambiente de tecnologia da informação, o que interrompeu alguns sistemas e afetou parcialmente suas operações, sem dar mais detalhes.

“A Avon está avaliando a extensão desse incidente e trabalhando com diligência para mitigar seus efeitos, empreendendo todos os esforços para normalizar suas operações”, afirmou a Natura em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No mês passado, o Safety Detectives, site global de análise de antivírus, havia descoberto um vazamento de 192 milhões de registros no site da Natura, incluindo vários itens de informações pessoais de mais 250 mil clientes. A brecha foi corrigida.

Para o site Convergência Digital, o fato da Natura ter ido ao mercado para reportar o ataque desta semana é considerado uma ação de transparência e será fato efetivo quando a Lei Geral de Proteção de Dados entrar em vigência, em agosto.

Segundo a publicação, os ataques da Honda e da Natura são direcionados ao sequestro de dados e à extorsão de dinheiro, mas não se tratam de ações coordenadas.

"Os ataques hackers aumentaram muito nesse período de quarentena. A maior parte das empresas tiveram que migrar, em dias, do ambiente seguro para o home office. Era tudo ou nada para continuar trabalhando. Essas migrações não são triviais e abriram portas aos cibercriminosos", afirmou Rafael Cividanes, da Kryptus, ao Convergência Digital.

Para além das empresas, as redes do governo já tiveram 2789 incidentes nos cinco primeiros meses de 2020, de acordo com o GSI. Entre eles, 389 foram de vulnerabilidades DDoS, ataque de negação de serviços, e 1572, incidentes de abuso de sites governamentais. No ano passado, o total ultrapassou 11 mil.