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SAÚDE

Oncoclínicas adota IA com Microsoft

Júlia Merker
// segunda, 10/07/2017 15:19

O Grupo Oncoclínicas firmou um acordo com a Microsoft para utilizar inteligência artificial (IA) com o objetivo de promover avanços no tratamento do câncer. A parceria fechada pelas organizações prevê o uso de recursos de aprendizado de máquina (machine learning) tanto para a frente de radioterapia quanto na de quimioterapia.

O Grupo Oncoclínicas firmou um acordo com a Microsoft para utilizar IA no tratamento do câncer. Foto: Divulgação.

As informações geradas a partir de softwares de machine learning – capazes de aprender com base nos dados e imagens que recebem – serão utilizadas para apoiar médicos do Oncoclínicas na decisão sobre o melhor tratamento para o paciente.

Na radioterapia, a utilização de IA possibilitará delinear estruturas de órgãos adjacentes ao tumor ou consideradas de risco de maneira mais rápida. 

Desta forma, o programa passa a oferecer uma série de informações para que o especialista possa estabelecer um planejamento do tratamento que contemple o desenho da área a ser irradiada com uma redução de horas de avaliação para alguns minutos. 

A tecnologia aprende mais à medida que analisa um volume maior de imagens. 

Já no campo da quimioterapia, a parceria entre Microsoft e Oncoclínicas conta com reforço acadêmico do Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia (CEST) da Universidade de São Paulo (USP).

A entidade, que recebe apoio financeiro da Microsoft, terá o papel de agregar pesquisadores que trabalharão no desenvolvimento de um algoritmo capaz analisar e estabelecer correlações entre diagnósticos de diferentes pacientes. 

O objetivo é que a partir delas seja possível indicar o tratamento mais adequado com base na verificação de uma série de variáveis que podem ter influência direta no tipo de droga receitada para o paciente e também na quantidade de sessões que ele terá de fazer.

“Há um volume cada vez maior de informações disponíveis e com a Inteligência Artificial é possível utilizá-lo para empoderar médicos e instituições de saúde a avançarem nos tratamentos que oferecem a pacientes com câncer”, afirma Milton Larsen Burgese, Diretor de Setor Público na Microsoft Brasil.

Para Luis Natel, CEO do Grupo Oncoclínicas, o principal objetivo desta aliança estratégica com a Microsoft é trazer impactos positivos ao tratamento de pessoas com câncer. 

“O contrato de colaboração mútua entre Grupo Oncoclínicas e Microsoft é mais um exemplo dos esforços que temos empreendido para trazer ao Brasil as mais avançadas tecnologias e as melhores práticas assistenciais do mundo no combate à doença”, explica.

Na etapa inicial do projeto, os pesquisadores do CEST analisarão parte do banco de dados do Grupo Oncoclínicas para começar a desenhar o algorítmo de Inteligência Artificial com objetivo de "ensiná-la" a estabelecer determinadas correlações com base em variáveis previamente indicadas pelo corpo médico em parceria com a Microsoft. 

O processamento do volume de informações será feito na plataforma de nuvem Azure. No futuro, outras bases de dados públicas poderão ser integradas ao projeto, ampliando sua capacidade.

Na fase de implementação efetiva, a expectativa é que 16 mil pacientes sejam beneficiados pela parceria. Presente em 10 estados brasileiros, o Grupo Oncoclínicas tem 44 unidades em operação, incluindo clínicas e parcerias com grandes centros hospitalares.

"Estamos criando uma plataforma com dados dos nossos pacientes e da rede pública de saúde. Vamos cruzar informações sobre os novos tratamentos e medicamentos para que sejam adotados os protocolos médicos mais adequados para cada tipo de paciente", afirmou João Alvarenga, diretor de tecnologia e inovação da Oncoclínicas.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que em 2016 tenham ocorrido mais 596 mil casos de câncer no país. 

O tratamento de câncer também recebe atenção especial do Watson, sistema de computação cognitiva da IBM. 

Um dos primeiros cases divulgados pela IBM com o uso da tecnologia foi o do Memorial Sloan Kettering Center (MSK), um dos mais importantes centros de estudos sobre o câncer no mundo, que passou a contar com um processo de treinamento colaborativo com centenas de médicos oncologistas.

Júlia Merker