Código de barras e celulares: o alvo da parceria GS1/OMA. Foto: divulgação GS1

A GS1 e a Open Mobile Alliance (OMA) firmaram uma aliança para criar uma especificação padrão para habilitar a leitura de código de barras em dispositivos móveis.

A iniciativa, que pretende lançar o novo padrão em 2014, já arrecadou diversas multinacionais interessadas em participar do processo de desenvolvimento este ano, incluindo nomes como Fujitsu, NEC, AT&T e PepsiCo.

Conforme as entidades, atualmente o setor trabalha com um sistema de códigos fragmentado por soluções não padrão, o que dificulta a criação em escala de aplicativos e equipamentos com funções de leitura.

“A leitura do código de barras é um incentivador para o consumidor acessar os dados e para os donos das mídias envolverem os usuários”, comenta Bryan Sullivan, vice presidente do Conselho Diretor da OMA. “A nova especificação possibilitará ao desenvolvedor inovar no setor de publicidade móvel e de m-commerce, permitindo criar aplicativos escalonáveis e interoperáveis", completa.

A parceria reúne duas experts. A GS1 é nada menos que a organização responsável pelos padrões da cadeia de suprimentos, que gerencia o sistema de códigos de barras de produto utilizados por cerca de dois milhões de empresas em todo o mundo.

A OMA, por sua vez, é a criadora de diversas especificações e interfaces de programação de aplicativos (APIs) para habilitar serviços móveis que incluem o OMA DM (gestão do dispositivo), já implantado em mais de 1,4 bilhões de equipamentos.

Criado o novo padrão para universalização da leitura de códigos em dispositivos móveis, a meta é entregar aos fabricantes de notebooks, smartphones e tablets recursos que permitirão, por exemplo, agregar a funcionalidade às câmeras dos aparelhos e conexão dos códigos com conteúdo fornecido pelos donos dos produtos lidos.

Suporte para coleta de análises do usuário, incluindo localização em uma base com a opção de inclusão, é outro recurso previsto.

Já para os desenvolvedores de aplicativos a especificação irá acelerar a implantação de soluções baseadas em código de barra por facilitar a integração com sistemas e equipamentos.

"Cada vez mais os consumidores usam dispositivos móveis para pesquisar e comprar produtos. A nova especificação permitirá que tenham acesso a informações precisas e confiáveis”, avalia John Phillips, vice presidente de Logística e de Cadeia de Suprimentos do Cliente da PepsiCo.

Empresas interessadas em participar do desenvolvimento do novo padrão devem entrar em contato pelos e-mails cameron.green@gs1.org ou kennie.kwong@att.com.

MERCADO
A especificação chegará para fomentar um mercado já em franco desenvolvimento.

De acordo com uma pesquisa da comScore, consultoria especializada na indústria digital, mais da metade da população dos EUA que possui smartphones usou seus telefones em 2011 para pesquisar um produto enquanto fazia compras, e um a cada cinco usuários fez a leitura do código de barras do item, enquanto um em cada oito comparou preços por meio dos aparelhos.

O estudo mostra o QR Code como tecnologia mais utilizada para as pesquisas, o que é reforçado por um relatório da ScanBuy que indica que foram realizadas mais de um milhão leituras  do código no ano passado, com maior incidência (49%) entre usuários de 25 a 44 anos.

Outro levantamento, este da Emarketer, indica que o uso do QR Code no mundo é maior entre os consumidores dos EUA, Reino Unido, Alemanha e França. Pela pesquisa, dois a cada cinco americanos entre 18 e 24 anos e 36% dos de 25 a 34 anos costumam olhar códigos em produtos.

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No Brasil, as práticas ligadas à leitura de códigos com o smartphone ainda não se popularizaram.

Conforme dados da ScanLife/ScanBuy Brasil, enquanto nos EUA 20% das pessoas que possuem smartphone leem QR Codes ao mês, por aqui este número não passa de 8%.

Mesmo assim, cerca de dois milhões de QR Codes são escaneados por mês no Brasil, estima a consultoria.

A baixa utilização dos códigos de barras por equipamentos móveis no país se deve, conforme avaliação da empresa, à dificuldade que as marcas têm em produzir e entregar conteúdo.

"No Brasil, muitas vezes o QR Code apenas direciona o usuário para o site da empresa que utiliza a ferramenta. Essa é uma experiência ruim para quem a usa", analisa Nuno Gonçalves, diretor da ScanLife/ScanBuy Brasil. “Ter um anúncio que chame a atenção e, principalmente, um benefício associado ao uso faz toda a diferença", completa.

É exatamente neste ponto que a iniciativa da GS1 e OMA tende a agir, facilitando a produção de conteúdo para oferta em códigos de barra e a leitura dos mesmos.

Presente em 150 países, a GS1 está presente no Brasil desde a década de 80, com estabelecimento de uma equipe de inovação em São Paulo há cerca de dois anos.

Presidida por João Carlos de Oliveira, a subsidiária, que tem cerca de 57 mil associados no país, tem produzido inovações por aqui como o Cadastro Nacional de Produtos, plataforma baseada em Internet que roda na nuvem Azure, da Microsoft, e substitui o SGN – Sistema de Gerenciamento de Números, com recursos para gestão e controle de numeração de mercadorias cadastradas nos padrões globais.