Gilberto Kassab (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Gilberto Kassab, ex-ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff (PT), será o líder do novo ministério resultante da fusão das pastas de Ciência e Tecnologia e Comunicações no governo Michel Temer (PMDB).

O nome de Kassab (PSD) e dos demais ministros foi confirmado pela assessoria do vice presidente Temer nesta quinta-feira, 12, horas após o Senado aprovar o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma no Senado. O resultado por dois terços praticamente assegura a deposição no julgamento final a ser realizado em até 180 dias.

O primeiro nome cotado para a Ciência e Tecnologia - ou o primeiro balão de ensaio lançado pela equipe de Temer - foi o de Marcos Pereira, pastor licenciado da Universal e presidente nacional do PRB.

No entanto, surgiu a ideia de unir os ministérios de Ciência e Tecnologia com o de Comunicações, como parte de honrar a promessa de Temer de diminuir o tamanho do governo. 

Provavelmente, o peso específico da nova pasta é maior do que o valor do suporte do PRB, um partido que deixou o status de nanico apenas nas últimas eleições. Pode ter pesado um pouco a reação nos meios acadêmicos ao nome de Pereira, que entrevistas declarou seguir a doutrina do criacionismo, o que pega mal em círculos científicos.

No governo Dilma, no qual o PSD permaneceu até dois dias antes da votação do processo de impeachment na Câmara de Deputados, o partido liderava o Ministério das Cidades, uma das pastas com maior orçamento do governo.

Fundador do PSD, Kassab assumiu o comando do Ministério das Cidades no final de 2014, quando foi anunciada a nova equipe ministerial do segundo mandato de Dilma. Ex-prefeito de São Paulo, ele já fez oposição ao governo do PT, na época em que pertencia ao DEM. 

A comunidade científica, aliás, também não aprova a fusão do ministério de Ciência e Tecnologia com o de Comunicações. 

Um manifesto sobre o tema foi divulgado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e secundado por 11 instituições, incluindo também Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores,  Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior e Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, entre outras.

“É uma medida artificial que prejudicaria o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do país", aponta o texto, agregando que a agenda do MCTI é “baseada em critérios de mérito científico e tecnológico” e que os programas são “formatados e avaliados por comissões técnicas que têm a participação da comunidade científica”.

Já o ministério de Comunicações, que tem entre suas atividades regular a emissão de concessões para meios de comunicações e regular a área de telecom, teria “relações políticas e práticas de gestão distantes da vida cotidiana do MCTI".

A nota não chega a mencionar esse fato, mas é bastante óbvio que é justamente essa diferença que faz o lado Comunicações do novo ministério ser mais atraente para políticos como Kassab e deve fazer com que a protagonismo das ações gire em torno desse eixo. O orçamento da Ciência e Tecnologia, por outro lado, já foi contigenciado em grande parte.

Em meio a pressão por articular o apoio político do novo governo Temer, o pedido das entidades da área de ciência e tecnologia provavelmente não foi ouvido, o que não é novidade.

Quando começaram as discussões sobre a última reforma ministerial do governo Dilma que levaria à entrada de Celso Pansera no ministério de Ciência e Tecnologia, oito entidades representativas (mais ou menos as mesmas dessa vez) divulgaram uma nota pedindo continuidade nas ações na área, o que acabou passando batido.