Itaú será dono da XP no médio prazo.

O Itaú Unibanco fechou a compra de 49,9% do capital total da XP Investimentos por R$ 6,3 bilhões, em um negócio que dará ao banco o controle total da companhia de investimentos no médio prazo.

O acordo assinado permite que os atuais sócios fiquem no comando da XP até 2033, quando o Itaú terá a opção de adquirir o controle. A partir de 2024, os sócios da XP podem optar pela venda.

Até lá, no entanto, o Itaú se compromete a aumentar sua participação no capital total para 64,2% em 2020 e para 74,9% em 2022, com 49,9% das ações ordinárias. 

Na operação, o Itaú concordou em avaliar a XP em R$ 12 bilhões, o valor base da oferta pública de ações que companhia vinha preparando. O valor equivale a 20 vezes o lucro projetado para 2018, de acordo com o Itaú.

Fundada em 2001 em Porto Alegre, a corretora XP ganhou mercado nos últimos anos como shopping de investimentos alternativo aos grandes bancos.

A XP Investimentos está presente em 130 cidades brasileiras em 24 estados, além de escritórios em Nova Iorque, Miami, Londres e Genebra. 

A empresa conta com 850 colaboradores, 2 mil agentes autônomos, 410 mil clientes e possui R$ 85 bilhões de ativos sob custódia e R$ 12 bilhões de ativos administrados.

De acordo com o Valor Econômico, as negociações entre XP e Itaú vinham acontecendo há dois meses.

Com essa janela de tempo, existe a possibilidade de que a XP tenha desistido da ideia do IPO (de uma valorização de mercado acima da feita pelo Itaú) depois da vinda à tona de problemas de segurança da informação na empresa.

No final de janeiro, veio à tona o fato de que hackers tinham acessado em 2013 os sistemas da XP Investimentos por meio de um ataque de phishing e roubar dados de 29 mil clientes, incluindo nome, CPF, números de telefone, e-mail e número da conta.

Os hackers tentaram chantagear a XP, e não tendo retorno, passaram a procurar os clientes "no varejo".

Nas suas explicações sobre o assunto, a XP frisou os investimentos em infraestrutura, processos e softwares depois do ataque.

Seja qual for o tamanho da capacidade de investimento em tecnologia da XP, o Itaú joga em outra divisão: em 2015, o banco gastou R$ 3,3 bilhões para inaugurar o maior data center do país.