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O Instituto Eldorado e a Unicamp, com coordenação da Softex, anunciaram a criação do Hub de Inteligência Artificial e Arquiteturas Cognitivas (H.IAAC) com verba de R$ 7,6 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

No projeto, a Softex ficará responsável pela gestão e manejo dos recursos advindos da Lei de Informática, enquanto o Instituto de Computação (IC) e a Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp, junto ao Eldorado, farão parte da execução.

Os pesquisadores da Unicamp serão divididos entre cinco linhas de pesquisa e irão se debruçar em produzir e disseminar o conhecimento tecnológico, enquanto o Eldorado desenvolverá os protótipos das aplicações.

A expectativa é de que mais de 50 pessoas trabalhem no hub, entre alunos de graduação, mestrado e doutorado, pós-doutores e professores da Unicamp, além de oito profissionais do Instituto Eldorado. Seis desenvolvedores ainda precisam ser contratados para completar o time.

Com o H.IAAC, o objetivo é desenvolver e disseminar conhecimento sobre tecnologias capazes de integrar diversos recursos de inteligência em dispositivos móveis, tornando-os hábeis em tomar decisões.

“A área de inteligência artificial hoje em dia é muito boa para resolver problemas isolados. No entanto, quando precisamos integrar essas informações para agir em situações mais complexas, ainda nos deparamos com diversos elementos fragmentados”, explica Esther Luna Colombini, professora do Instituto de Computação da Unicamp.

Segundo a pesquisadora, a ideia das arquiteturas cognitivas é dar um passo à frente, pensando em como realizar essa integração e construir uma criatura inteligente. 

“Com as sugestões de algoritmos obtidas por meio da pesquisa, traremos essa experimentação para o mundo mobile. Esperamos entender quais elementos de arquitetura que, quando colocados dentro de um telefone, torne-o capaz de atuar de forma inteligente”, conta Mário Henrique Reino Cintra, gerente de P&D do Eldorado.

Um smartphone cognitivo, por exemplo, poderá ter a capacidade de agir de acordo com os dados obtidos por meio da observação das ações do usuário.

“Um exemplo prático seria um celular conseguir compreender, por meio do movimento do usuário, por seu histórico de ações e pela sua localização, que naquele momento ele está em uma reunião importante e que não deve ser interrompido”, exemplifica Colombini.

De acordo com Leandro Villas, professor do IC da Unicamp, há a possibilidade de alavancar diferentes nichos tecnológicos e de inovação com geração de publicações, patentes de alto impacto e formação de pessoal altamente qualificado para o ecossistema de tecnologia do país.

“O país tem procurado se posicionar de forma cada vez mais competitiva na corrida pela liderança na aplicação de IA em negócios. Esse hub é mais um importante passo nesse sentido e há muito a crescer”, afirma Diônes Lima, vice-presidente da Softex.

Segundo estudo realizado pela Universidade de Stanford, o Brasil é o país que mais contrata profissionais de inteligência artificial no mundo. O setor tende a evoluir cerca de 20% ao ano até 2025, de acordo com o BCC Research.