Fundadores da Linx fizeram uma fortuna.

Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, os três fundadores da Linx, vão levar sozinhos uma bolada de R$ 1,2 bilhão pela venda da empresa para Stone, um negócio no valor total de R$ 6,04 bilhões anunciado nesta terça-feira, 11.

A informação surgiu a partir da Fama Investimentos, dona de 3% do capital da Linx, que acredita que os fundadores estão levando mais do que deveriam no negócio. A Fama não gostou e botou a boca no trombone na Exame.

Isso porque, além do valor pago pelo 14% das ações em sua posse, os empresários estão sendo pagos pela Stone também por meio de salários e as chamadas cláusula de non-compete, que os impedem de ir trabalhar na concorrência.

O valor desse extra chega a R$ 400 milhões, afirma a Fama, para quem os os termos negociados “ferem nitidamente os bons princípios de governança corporativa”.

Além do extra por meio da cláusula de non compete, Menache o CEO da Linx, receberá ainda uma “Proposta de Contratação de Executivo” que lhe pagará R$ 75 milhões e um salário mensal de R$ 416 mil, além de outros benefícios.

Menache deve liderar a divisão que será criada a partir da compra da Linx. 

Segundo a Fama, a “proposta de trabalho” para Menache exige que ele trabalhe quatro dias por semana no primeiro ano, três dias no segundo e dois dias por semana no terceiro ano.

Para efeito de comparação, as maiores remunerações anuais na Linx foram de R$ 9,8 milhões, R$ 5,1 milhões e R$ 18,2 milhões, respectivamente, nos anos de 2017, 2018 e 2019, segundo a gestora.

De acordo com a Fama, os valores extra recebidos pelos três sócios em relação aos acionistas normais (35% a mais no caso de Fernandes e Dayan, 63% no caso de Menache) é contra a chamada regra do tag along prevista para as ações listadas no Novo Mercado.

Esse princípio garante que todos os acionistas precisam receber o mesmo valor numa venda da empresa. A gestora sugere que os acordos são “estratagemas criativos” desenhados para driblar a regra do jogo.

Seja como for, o fato é que os valores tornam a venda da Linx um dos negócios mais rentáveis, se não o negócio mais rentável, já fechado por empreendedores no setor de tecnologia brasileiro.

A Linx foi fundada em 1985 pelo paulistano Nércio Fernandes. Com 22 anos de idade, Nércio deixou a faculdade de Engenharia Civil para investir em um negócio próprio na área de microinformática e fundou a Microserv.

Poucos anos após sua fundação, a companhia atendia pequenos negócios na região do Brás e Bom Retiro, em São Paulo, quando desenvolveu o MicroMalhas, software voltado para varejo de moda. Em 1990, o software passou a ser chamado de Linx

Alon Dayan foi administrador de uma indústria têxtil nos anos 80 e entrou na Linx em 1990. Já Menache se juntou ao time em 1991 como trainee, galgando posições nas áreas de vendas, marketing, RH, TI, finanças e assumindo por fim a posição de CEO.