Rui Nogueira.

A Widepartner, uma parceira da Sage com operações na Espanha e Portugal, acaba de reforçar sua presença no Brasil com aquisição da Cora Sistemas, uma companhia de Curitiba que trabalha com tecnologias da multinacional.

A Cora Sistemas trabalha com o sistema de gestão X3 da Sage, com o qual já fez 10 implementações, incluindo o Sinduscon – Sindicato da Construção Civil do Paraná. A empresa tem 12 funcionários.

Ao todo, a Widepartner tem 57 clientes do X3 espalhados por Portugal, Espanha, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Brasil.

“Toda estrutura da maior empresa de software do mundo está sendo direcionada para seu único produto no Brasil, o X3. As novas contratações em plena crise já estão em andamento”, afirma o vice presidente da Sage na América Latina, Rui Nogueira.

Nogueira está fazendo uma menção indireta ao fato da Sage ter decidido vender a Folhamatic, uma empresa de software de gestão brasileira adquirida pela companhia por R$  400 milhões em 2013, além de outras empresas similares, porém menores, como a Empresa Brasileira de Sistemas (EBS).

As três eram players de sistemas de gestão para escritórios de contabilidade, um tipo de cliente que é usado pela Sage e outros concorrentes como uma porta de entrada em empresas pequenas atendidas por esses contadores.

O novo dono dos softwares brasileiros da Sage é o ex-presidente da empresa no país, Jorge Carneiro, que montou com eles um novo negócio, a Ao³. 

Carneiro pagou £ 1 milhão pagos à vista e deve pagar outros £ 9 milhões em um prazo e condições não reveladas. Pelo valor da libra esterlina hoje (num pico histórico), estamos falando de algo em torno de R$ 70 milhões.

(O fundador da Folhamatic, Maurício Frizzarin, anunciou na semana passada que estava de volta no mercado, com uma nova empresa de software de gestão).

Já desde antes da decisão de vender os softwares brasileiros, tomada em novembro de 2019 e concretizada em março de 2020, a Sage vinha fazendo movimentos para reforçar o canal do X3, o seu software de gestão para empresas médias, que tem uma base pouco expressiva no Brasil.

A estratégia parece ser estimular a vinda para o Brasil de canais portugueses, um país onde a base X3 é maior.

Assim, em outubro do ano passado, A Xplor, companhia portuguesa que é uma das maiores parceiras da Sage, criou uma joint venture com a brasileira Grupo TechTrends para vender no Brasil o X3.

Com a união, nasce a Xplor Latin America, cujo objetivo é tornar-se a maior implementadora no país do X3 até o final de 2020.

A Sage trouxe o X3 para o Brasil em 2015, visando brigar no mercado brasileiro com softwares da Totvs e do Business One, produto para pequenas e médias da SAP, concorrentes na fatia mais fragmentada do mercado de ERPs no Brasil.

Desde então, o produto tem tido uma performance discreta e não existe muita informação sobre a penetração atingida no Brasil. Em 2015, a Sage falou em 10 projetos em curso com X3. Em 2017, abriu que tinha 23 parceiros de venda no Brasil, sem revelar os nomes.

Mesmo que o número de projetos tenha se multiplicado por 100 desde então, ainda seria uma gota d’água no mercado de sistemas para gestão para pequenas e médias no país.