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Site agrega demitidos de startups

15/06/2022 05:11

Layoffs Brasil já tem perfis de 2 mil profissionais em 24 listas diferentes.

Site cataloga perfis de demitidos. Foto: Pexels.

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Acaba de entrar no ar o Layoffs Brasil, uma espécie de agregador de listas de demitidos em startups, muitas das quais tem feito cortes significativos nas suas equipes nas últimas semanas.

São ao todo 24 listas no site, com a primeira divulgação datada de 22 de março e a última nesta terça-feira, 14. O total atual chega a 2 mil profissionais, e, com as notícias de cortes em massa se repetindo, deve subir muito mais.

O funcionamento é simples. Muitas empresas que realizam cortes costumam divulgar listas com contatos e links para os perfis dos demitidos, informal ou formalmente.

O Layoffs Brasil recebe as listas de demitidos de "fontes seguras que autorizaram a divulgação", o que provavelmente significa o próprio RH das startups realizando os cortes, de maneira direta ou indireta.

De posse das informações, o Layoffs Brasil agrega elas a uma tabela, com data da demissão, número total, perfis profissionais e a tabela completa em um link.

Quem quer acrescentar seu nome pode entrar em contato com o site, assim como quem quer retirar suas informações.

O Layoffs Brasil oferece ainda um email semanal com atualizações. O site funciona com tecnologia do Google. 

A ideia parece se financiar com doações, coletadas por meio de uma campanha no Apoie.se.

Até agora, quatro pessoas já fizeram uma assinatura mensal, cujos valores começam em R$ 5, gerando R$ 88 por mês. A meta é bem maior, mas também nada do outro mundo: R$ 1999.

O público alvo parece ser profissionais da área de RH: as recompensas da assinatura incluem acesso antecipado às informações, listas tratadas e notificações sobre perfis específicos.

O site foi criado por João Gabriel Santos, um profissional da área de TI da Gabriel, uma startup focada em segurança pública.

No mercado há apenas cinco anos, Santos pode ser considerado de qualquer forma um insider no ecossistema de startups brasileiro.

Ele foi co-fundador de duas startups no Rio de Janeiro, foi gerente de produto em uma terceira e passou por programas de desenvolvimento de profissionais como o Pró-Líder, do Instituto Four.

Santos tem também no currículo um Ted Talk feito na UFRJ e a inclusão em uma lista da Veja sobre 20 brasileiros promissores na faixa dos 20 anos.

O fundador do Layoffs Brasil tem portanto uma rede de contatos que deve tornar fácil a tarefa de abastecer o site, um trabalho que é facilitado pela postura mais aberta das startups em relação a cortes nas suas equipes.

Pela experiência da reportagem do Baguete, as empresas mais tradicionais dificilmente divulgam ou mesmo confirmam números totais de demitidos.

As startups, por outro lado, são muito mais francas sobre o assunto. Em muitas ocasiões, o corte é comunicado pelo próprio CEO no Linkedin, um tipo de postagem que se está convertendo em um gênero estabelecido na rede social corporativa.

Interessados em acessar o site também não devem faltar. Apesar de algumas startups estarem passando por turbulências, a demanda geral por profissionais de tecnologia segue aquecida, e os RHs precisam de fontes de informação (em poucos dias, a página do Layoffs Brasil no Linkedin já tem 1,1 mil seguidores).

Existe também a possibilidade de problemas. Uma coisa é divulgar abertamente um primeiro corte, justificável por um ajuste frente às condições de mercado e em meio a uma tendência geral de diminuição de equipes. 

Outra bem diferente são cortes subsequentes, que possam indicar a incapacidade de uma startup de seguir existindo dentro das novas condições. Talvez nesse ponto os CEOs já não queiram mais ser tão transparentes.

Do lado dos divulgados, é de se esperar menos resistência. Mas vale ter em conta que o site por outra parte divulga dados como nomes, perfis do Linkedin e números de celular, o que poderia gerar problemas de natureza regulatória, caso alguma empresa divulgue informações sem consentimento dos envolvidos, o que a Layoffs Brasil não tem como controlar.

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