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INVESTIMENTO

TCS tem mega centro em Londrina

Maurício Renner
// terça, 16/01/2018 10:45

A TCS, multinacional indiana de serviços de TI e de terceirização de processos de negócios, anunciou um grande investimento em Londrina, no Paraná, com a perspectiva de empregar até 4 mil pessoas na cidade.

Qualidade de vida atrai empresas para Londrina. Foto: Divulgação.

Já foram abertas 80 vagas para o novo “delivery center”, dentro da primeira fase da operação paraense da TCS, no qual a empresa estará instalada e um prédio comercial na região central da cidade.

Nesse local, a empresa poderá ter até 700 funcionários. Depois, o plano é se transferir para uma sede que está sendo construída dentro do parque tecnológico Francisco Sciarra, um espaço administrado pela Codel, uma autarquia municipal de desenvolvimento de Londrina.

Na nova localização, poderão ser atingidos os 4 mil empregos, de acordo com “o desempenho da companhia no Brasil”, segundo aponta a TCS em nota. A multinacional não abriu prazos ou o cronograma de contratações.

As vagas são para áreas como Big Data, analytics, Java, .Net, banco de dados, processos, administração de dados, ERP SAP, cloud e gerência de projetos e podem ser conferidas com mais detalhes nesse link

A divulgação do investimento foi feito depois da assinatura de um termo de cooperação com a prefeitura de Londrina nesta segunda-feira, 15. A TCS a prefeitura não abriram detalhes sobre possíveis incentivos fiscais ou de outro gênero.

Em nota, a TCS afirma que vai levar para cidade programas de capacitação profissional feitos em conjunto com “as entidades do município” visando estimular estudantes a seguirem carreiras na área de TI.

As metas destinam Londrina a ser a maior operação da TCS no Brasil e o maior centro em língua portuguesa do mundo. Também disputavam o investimento as cidades Campo Grande e Juiz de Fora.

“Londrina é um polo estudantil com ótimo nível educacional. O outro aspecto considerado é o porte médio de Londrina, suas qualidades estruturais e o baixo custo de vida em relação a grandes capitais como São Paulo”, explica o diretor financeiro da TCS Brasil.

Com 500 mil habitantes, Londrina é a segunda maior cidade do Paraná e está entre as 10 maiores economicamente da região Sul. Nos últimos anos, o município vem se credenciando como um polo de TI, com cerca de 200 empresas da área segundo dados da Softex.

A maioria são companhias locais, mas Londrina já tem um centro de serviços da gigante francesa Atos, inaugurado em 2013 e hoje com cerca de 400 funcionários.

A cidade recebeu em 2016 uma incubadora de novos negócios aberta por meio de uma  parceria com a Telefonica Open Future e o Sebrae-PR e um canal local da Softex, em parceria com a Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação (IST) de Londrina.

A região já conta há mais de 10 anos com um Arranjo Produtivo Local, uma espécie de associação de empresas por meio do qual é possível captar verbas em nível estadual e federal.

O Paraná tem cinco organizações do gênero. Eles levaram ao fato de que o estado tivesse em 2015 o maior número de avaliações de qualidade desenvolvimento de software MPS.BR do país, com um total de 48.

Para a TCS, o anúncio do centro em Londrina é uma das movimentações mais ousadas desde que a companhia chegou no Brasil, no começo dos anos 2000, junto com outras gigantes da Índia como Wipro e Mahindra.

Os indianos não conseguiram repetir por aqui o sucesso da sua presença nos Estados Unidos, onde as companhias do país emplacaram grandes contratos de outsourcing usando como diferencial o baixo do custo da mão de obra na Índia.

Nos últimos anos, as coisas estão começando a mudar, com a promessa de atender clientes locais com recursos locais.

A TCS mantém operações em Alphaville, São Paulo, e no Rio de Janeiro, mas não abre o número total de funcionários.

A TCS obteve um dos seus melhores desempenhos globais na América Latina no ano fiscal 2017, encerrado em 31 de março do ano passado, crescendo 14,1% para atingir um faturamento de US$ 369 milhões.

O resultado foi o segundo melhor entre os chamados “mercados emergentes” da empresa, só atrás do Oriente Médio e África, que cresceram 14,8%. A média global  foi de 6,2%, para US$ 17,58 bilhões.

Mesmo assim, o mercado latino americano é uma parte pequena do faturamento (2,1%, frente a 53% da América do Norte) e os resultados no passado já foram melhores, com um faturamento de US$ 410 milhões no ano fiscal 2014.

As outras grandes da Índia também tem feito movimentos. A Wipro, uma das grandes concorrentes da TCS, adquiriu em janeiro de 2017 a paulista InfoServer em um negócio de R$ 27,6 milhões.

A meta da empresa é faturar US$ 100 milhões no país ainda em 2017 e chegar no final de 2018 com nada menos do que US$ 250 milhões, revelou ao Baguete Ankur Prakash, vice-presidente para mercados emergentes da Wipro.

Em agosto de 2013, a Tech Mahindra comprou 51% do capital da empresa brasileira de consultoria SAP, Complex IT, com investimento inicial de US$ 6,5 milhões em dinheiro, cujo pagamento total poderá passar de US$ 20 milhões.

Maurício Renner