Accenture: "E esse é o meu plano para vender o Serpro e a Dataprev". Foto: Pexels.

O BNDES vai pagar R$ 7,93 milhões para um time de consultorias encabeçadas pela Accenture fazerem a modelagem do processo de privatização do Serpro e da Dataprev. 

Segundo revela o Convergência Digital, a licitação foi disputada por quatro propostas.

Venceu o consórcio “Dados BR”, formado pela Accenture, uma das maiores consultorias de negócios do mundo, junto com a Burson-Marsteller, multinacional do ramo de relações públicas e a Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Falcão Advogados.

O escritório de advocacia foi um das pioneiras no assunto privatização no Brasil, tendo sido o primeiro a abrir uma área focada em setores regulados nos 90 focado em empresas nacionais e estrangeiras interessadas nas vendas de empresas públicas da época.

O consórcio deverá fazer um “estudo de mercado, diagnóstico setorial nacional e internacional, estudo regulatório, proposição de alternativas de desestatização, modelagem da desestatização e outros serviços profissionais especializados necessários à estruturação e à implementação dos processos de desestatização”. 

A agenda de privatização do Serpro e Dataprev andava algo fora das notícias ultimamente.

Uma das últimas novidades sobre o tema foi no final de janeiro, antes da eclosão do tema coronavírus.

Na época, o então secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar, disse em um evento para investidores que ambas empresas deveriam ser vendidas em junho de 2021.

Foi uma dessas previsões, ou balões de ensaio, que a ala privatista do governo Bolsonaro gosta de fazer, mas que dificilmente resultam em algo. Mattar, aliás, deixou o cargo insatisfeito com a falta de avanço nas privatizações.

Com o time de pesos pesados contratado pelo BNDES, agora no mínimo deve surgir um plano mais definido sobre o tema, cobrindo a estratégia empresarial, o marco legal e como vender o peixe da venda publicamente.

SERPRO E DATAPREV SE MEXEM

Enquanto isso, em paralelo, Serpro e Dataprev vão tomando medidas para se tornarem mais atrativas para um potencial comprador.

A Dataprev fechou  20 unidades regionais, levando à demissão de 493 funcionários, 15% do total.

O Serpro se mexeu mais, começando a terceirizar atividades de desenvolvimento e a focar na intermediação de venda de computação em nuvem para o governo, um filão de grande potencial.

Fora isso, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou em dezembro de 2019 uma avaliação afirmando que Serpro e Dataprev poderiam manter seus contratos com o governo assinados sem exigência de licitação até o término dos mesmos, mesmo se forem privatizadas.