A França quer aproveitar o Brexit para superar a Inglaterra na atração de empresas inovadoras. Foto: Pexels.

O governo francês lançou neste mês uma revisão completa do visto “Tech”, voltado para funcionários que trabalham em empresas de tecnologia. O objetivo é facilitar a chegada de profissionais do setor no país.

A nova modalidade de visto permite que startups contratem funcionários de qualquer lugar do mundo. O sistema é descrito pela La French Tech, iniciativa do governo voltada para tecnologia, como “um dos vistos para startups mais abertos da Europa”

"Com o Brexit fazendo com que os talentos da tecnologia estrangeira se sintam menos bem-vindos [na Inglaterra], queremos estar prontos para ajudar milhares na indústria de tecnologia a escolher a França", diz Kat Borlongan, diretor da La French Tech.

Para utilizar o programa, as empresas precisam cumprir um destes requisitos: ter o status de Young Innovative Enterprise (JEI); ser beneficiário de financiamento estatal; ter apoio de um capitalista de risco francês ou ser apoiado por um fundo que faz parte do programa French Tech.

“No passado, apenas mais de 100 empresas eram elegíveis para usar o visto francês de tecnologia para funcionários. Hoje, esse número está mais perto de 10 mil", detalha Borlongan.

O visto também se estende a cônjuges e dependentes, para que os profissionais possam levar a família para o país.

A autorização de trabalho é inicialmente concedida por quatro anos, mas não se limita a uma única startup. Assim, os funcionários podem mudar de emprego ou fundar sua própria empresa na França a partir do visto inicial. O documento também é renovável e a cidadania pode ser solicitada após cinco anos.

Entre 2012 e 2015, o número de startups criadas na França aumentou em 30%. A partir disso, o ecossistema de incubadoras e aceleradoras cresceu, chegando a mais de 300 iniciativas privadas do tipo atualmente.

A tendência é que o número siga em alta, pois o Fundo Francês de Aceleração Tecnológica, criado pelo governo, planeja investir € 200 milhões em incubadoras de empresas até 2020.

Com isso, a França espera crescer na disputa com Londres pelo título de capital europeia das startups. O país pode ser um dos beneficiados de uma saída atrapalhada do Reino Unido da União Européia, assim como Berlim.

O movimento já é visto por empresas de tecnologia, que aumentaram os investimentos na França. Há cerca de um ano, a SAP anunciou que aplicaria € 2 bilhões nas suas operações na França nos próximos cinco anos.

Além de € 150 milhões anuais em pesquisa e desenvolvimento, a França também foi escolhida pela SAP para receber a segunda unidade do SAP.iO Foundry, uma aceleradora que deve investir em 50 startups. A primeira unidade do tipo foi aberta no ano passado em Berlim.