Fernando Castro.

O Agibank, banco digital sediado em Porto Alegre, decidiu colocar suas fichas numa organização de desenvolvimento de software totalmente baseada no conceito de DevOps, envolvendo um total de 260 profissionais da empresa.

DevOps é uma abordagem em alta no mundo de TI, que passa pela aproximação das áreas de desenvolvimento e operações, visando girar um círculo virtuoso de melhorias no produto e na velocidade de entrega.

No caso do Agibank, a mudança interna foi um processo de três meses, iniciado no final de 2017.

“Decidimos ir com esse modelo de ponta a ponta, não só em áreas de web e aplicativos, onde a abordagem é mais comum”, explica Fernando Castro, CIO do Agibank.

Com a nova abordagem, o Agibank passou a trabalhar com 11 “tribos”, como são chamadas as áreas macro de desenvolvimento de funcionalidades como o core bancário ou a tecnologia para os canais, com um profissional sênior à frente. 

Essas tribos tem abaixo de si 40 dos chamados “squads”, equipes formadas por pessoas de negócio, analistas e desenvolvedores, focados em tarefas mais específicas, como por exemplo o desenvolvimento da versão para iOS do aplicativo do banco.

Profissionais especializados no gerenciamento de desenvolvimento com métodos ágeis, os chamados Scrum Masters, se deslocam entre os diferentes squads, assim como os demais integrantes, a medida que os produtos estão estabilizados ou são descontinuados.

“A cada 15 dias, todo mundo vê o que os outros estão fazendo. A ideia não é que a TI se aproprie disso, mas que seja algo das áreas de negócio, das pessoas de crédito, contabilidade e assim por diante”, resume Castro.

Castro foi contratado pelo Agibank em julho do ano passado, vindo do Sicredi, banco cooperativo que é a maior instituição financeira privada do Rio Grande do Sul e está entre as maiores do país.

O profissional não foi a única contratação. O Agibank vem crescendo sua equipe em ritmo acelerado, com 60 vagas abertas no momento. 

“A empresa tem uma mentalidade de startup. Queremos trabalhar com agilidade e sem silos fechados. A ideia é que o Agibank seja a empresa que um profissional recém formado queira ir trabalhar”, projeta Castro.

Um dos atrativos para jovens profissionais do Agibank são as práticas ágeis e de DevOps, que tornam o trabalho mais dinâmico e envolvido com as áreas finais da empresa. 

O Agibank recebeu recentemente o prêmio TechXlr8 na categoria "Best DevOps Transformation" do London Tech Week, um evento de tecnologia com relevância mundial.

A empresa também abriu um escritório no Vale do Silício, de olho em startups locais e numa entrada no médio prazo no mercado americano, outro prospecto promissor.

Acima de tudo, o Agibank tem bala na agulha para contratar e capacidade de investimento, o tipo de empregador que não está em abundância no setor de tecnologia do Rio Grande do Sul.

No final do ano passado, foram anunciados planos de investir R$ 750 milhões em tecnologia e inovação ao longo dos próximos três anos.

As práticas ágeis e de DevOps são um dos quatro pilares que organizam a área de tecnologia do Agibank, junto com práticas de omnichannel e open banking, infraestrutura híbrida on premise e na nuvem e cibersegurança.

Criado em 1999 como uma financeira, a empresa mudou seu nome de Agiplan para Agibank há seis meses, para dar uma guinada digital com o objetivo de quintuplicar o número de correntistas neste ano. 

A então Agiplan incorporou no começo de 2016 o Banco Gerador, com forte atuação de varejo e atacado no Nordeste do Brasil e 200 mil clientes.

Com a aquisição, a Agiplan, até então concentrada no mercado de empréstimos pessoais, se tornou um banco. A empresa tem nos planos a abertura de capital na Bolsa de Valores.