PRESENÇA

Azure tem nova região de nuvem no Brasil

20/10/2020 13:30

Lançamento abre portas para vender nuvem no governo, um segmento no qual a AWS está na frente. 

Tânia Cosentino. Foto: Rosi Boninsegna

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A Microsoft inaugurou uma nova região de nuvem no Brasil, baseada no Rio de Janeiro, complementando a já oferecida a partir de São Paulo desde 2014.

Com a nova Brazil Southeast Region (São Paulo é a Brazil South Region, apesar de também ficar na região Sudeste), os clientes brasileiros poderão ter uma opção de recuperação de backup dos seus sistemas dentro do Brasil.

Isso não era possível até agora, porque a empresa só tinha um data center no país, tornando necessária a replicação de dados nos Estados Unidos.

A companhia também trabalha para oferecer, até início de 2021, novas zonas de disponibilidade da Microsoft Azure para a região Sul do país. 

Com os novos data centers, a Microsoft vai permitir que os clientes atendam uma exigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), no sentido de armazenar dados de clientes localmente.

As chamadas zonas de disponibilidade são locais isolados de falhas em uma região da Azure, fornecendo energia redundante, resfriamento e rede. Elas somam hoje um total de 65 regiões, espalhadas por 90 países ao redor do mundo (na América Latina, apenas Brasil e México).

A Microsoft fez o anúncio da nova região nesta terça-feira, 20, em meio a um grande evento digital com participação do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e de outros integrantes do governo para promover o chamado plano Mais Brasil.

O Mais Brasil tem metas ambiciosas, como apoiar a qualificação profissional de 5,5 milhões de brasileiros com “treinamento digital gratuito”.

A cifra, possivelmente a maior já divulgada para um projeto desse tipo, deve ser alcançada até 2023. 

Na prática, a Microsoft vai disponibilizar 58 instrutores para oferecer orientação personalizada para até 315 mil pessoas simultaneamente dentro da ferramenta Microsoft Community Training, em um projeto em parceria com a Softex, agência de promoção de exportação de software ligada ao governo.

Serão 20 cursos de tecnologia em diferentes níveis, indo desde alfabetização digital até módulos mais avançados de computação em nuvem, IA e ciência de dados. 

Para fechar, a Microsoft se comprometeu a ajudar a proteger a floresta amazônica do desmatamento usando Inteligência Artificial durante a próxima estação seca, em 2021.

“O anúncio de hoje demonstra o compromisso da Microsoft em apoiar uma recuperação econômica inclusiva no Brasil. Com os investimentos em qualificação, a expansão de nossa infraestrutura de nuvem e o compromisso de apoiar iniciativas sustentáveis que preservem o diverso ecossistema brasileiro, pretendemos promover mais inovação e crescimento no país", declarou Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil.

Retórica à parte, é preciso juntar um pouco os pontinhos para entender porque a Microsoft decidiu lançar uma nova região de nuvem junto com grandes programas em cooperação com o governo (nome de conotações patrióticas incluído).

Não é muito difícil. A resposta é vendas públicas. A Microsoft vem ganhando espaço dentro do governo nos últimos anos, começando de forma discreta ainda no governo Dilma Rousseff (PT), quando a velha política petista de fomento ao software livre começou a morrer.

O processo se acelerou durante o governo Temer (PMDB) e está chegando ao auge na gestão Bolsonaro, no qual se está se cimentando uma doutrina de compras centralizadas junto a grandes fornecedores, visando escala e diminuição de preços.

Há duas semanas, o Governo Federal anunciou a compra de 160 mil licenças da suíte de escritório Office 365, a um custo estimado de R$ 48,71 milhões, no que é uma das maiores aquisições de tecnologia do tipo já feita em Brasília.

As licenças irão para um total de 148 órgãos (88 interessados na versão enterprise e 60 na versão educacional), que indicaram participar da ata de registro de preços, o que é também sem precedentes.

A Microsoft já está emplacando venda de software, agora como serviço e na nuvem, como nunca antes. Falta vender também serviços de computação em nuvem, um mercado com um potencial ainda maior.

O empecilho nesse segmento era a replicação de dados do governo fora do país, o que era considerado problemático para a segurança nacional durante as administrações petistas e provavelmente segue sendo pela ala mais nacionalista dos militares, que tem influência nesse tipo de decisões em Brasília.

Fora isso, a porta para os gigantes de nuvem está aberta na capital federal.

O Serpro, a maior estatal de TI do governo, se converteu inclusive em um intermediário desse tipo de soluções para órgão de governo, atuando como um “cloud broker”.

Até agora, o Serpro só anunciou oficialmente uma parceria com a AWS, líder de mercado e arquirrival da Microsoft em computação de nuvem, que já tinha mais de um data center no Brasil.

Durante o anúncio do acordo com a AWS, Antonino dos Santos Guerra, diretor de operações do Serpro e general de divisão com longa experiência em áreas relacionadas a TI no Exército, revelou que a estatal já mapeou 100 clientes potenciais em Brasília.

O conceito é o mesmo da licitação de Office 365. Comprar no atacado pagando menos. A AWS já está emplacando grandes contas dentro dessa lógica.

No ano passado, a AWS, por meio de uma parceria com a Claro/Embratel, foi a vencedora da primeira grande licitação de nuvem desse tipo, organizada pelo Ministério do Planejamento.

No formato registro de preços, a licitação resultou em 23 contratações, 10 delas de órgãos que constavam da ata original e mais 13 que aderiram à licitação depois. Como resultado, o pregão de R$ 29,9 milhões já alcançou R$ 55 milhões em contratações de serviço.

Estão previstas migrações para a AWS em órgãos tão diferentes como Ministério da Fazenda, Cade, Polícia Rodoviária Federal, Agência Nacional de Águas, Conselho Nacional de Justiça, INSS e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

De acordo com o Gartner, a AWS detém uma participação de 45% na oferta de infraestrutura de computação em nuvem. A Microsoft, por sua vez, saiu de uma fatia de 15,6%, em 2018, para 17,9%, em 2019. Há quatro anos, essa participação era de 8,7%.

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