No prazo. No orçamento. Viva! Foto: Pixabay.

O SAP Hana, sistema de banco de dados em memória lançado pela multinacional alemã, está começando a cair nas graças dos usuários.

Pelo menos, é o que indica uma pesquisa com 250 clientes feita pela Centiq, uma empresa britânica que trabalha com serviços gerenciados de Hana.

De acordo com os dados (que devem ser olhados com alguma cautela, uma vez que a Centiq é parte interessada) 68% dos pesquisados disseram que o investimento em Hana teve retorno e outros 75% que os projetos foram entregues no prazo, no orçamento, ou em ambos. 

O site britânico The Register apresentou os dados para Paul Cooper, chairman do Grupo de Usuários SAP no Reino Unido, que disse que as respostas são parecidas ao que ele tem visto dentro da associação, equivalente à brasileira Asug.

“Houve um grande esforço da SAP e dos seus parceiros em superar as histórias de terror do passado”, comentou Cooper, falando dos problemas enfrentados pela multinacional nos primeiros anos de mercado do produto com projetos atrasados.

Matt Lovell, COO da Centiq, também foi ouvido pelo Register e teve uma nota mais otimista: “Projetos no prazo e orçamento se tornaram a norma e mesmo com falta de skills a mensagem principal da nossa pesquisa é que o SAP Hana está entregando as promessas feitas no seu lançamento”.

Alguns problemas continuam: 86% dos respondentes disseram estar confusos com problemas de licenciamento dos novos softwares na nuvem 

O tema surgiu no começo do ano passado, quando a SAP cobrou £54,4 milhões da Diageo depois que a empresa de bebidas instalou sistemas da Salesforce que acessaram dados indiretamente..

Depois do barulho causado pela notícia, a SAP prometeu simplificar suas regras de licenciamento, com novos termos criados para as regras de licenciamento responsáveis por 80% dos problemas de compliance (Order to Cash, Procure to Pay e Static, em inglês).

As dúvidas sobre a migração para o Hana tem sido exploradas por concorrentes. Um deles é a Rimini, que oferece suporte terceirizado para as atuais aplicações da SAP, e por tanto está feliz da vida se os clientes decidem não fazer a mudança. 

Em uma pesquisa  com 208 clientes da empresa na América do Norte, Ásia, América Latina e Europa divulgada no ano passado, a companhia disse que 65% dos pesquisados não irão migrar os seus sistemas atuais para o S/4 Hana, ou estão indecisos.

(A empresa não divulgou dados detalhados e a decisão de agrupar os clientes que não vão migrar com os indecisos é malandra e serve para fortalecer o seu próprio argumento).

Um outro aspecto que indica com mais claridade o tipo de problema que a SAP pode enfrentar para promover a migração para o seu novo ERP é o release que os clientes estão usando.

Apenas 52% estão no ECC 6.0, a versão imediatamente anterior ao S/4 Hana. A outra metade dos usuários está ainda no R/3 4.x, ou versão anteriores, ou no ECC 5.0).

O X da questão é que o S/4 é diferente de seus predecessores na SAP porque roda exclusivamente no banco de dados em memória Hana, o que exige um investimento maior no hardware.

A SAP afirma que o investimento se paga com desempenho superior das aplicações, e, é lógico, oferece um cenário muito mais róseo sobre o S/4 Hana, repetindo sempre que possível que se trata do produto com “adoção mais rápida da história da companhia”, outro tipo de informação que não quer dizer muita coisa.

Na sua divulgação de resultados do primeiro trimestre de 2017, a SAP falou em 5,8 mil clientes do produto em nível global. Lançado em fevereiro de 2015, o S/4 tinha acumulado até outubro daquele ano 1,3 mil.

No Brasil, o último número disponível é de maio de 2016, quando havia 300 clientes em alguma fase de implantação do novo produto, em uma base total de 3,2 mil.