Depois de seis meses em casa, profissionais sentem saudade até de engarrafamento. Foto: Pexels.

Os profissionais brasileiros são os mais estressados do mundo em função da combinação de coronavírus e trabalho em casa.

É o que apontou um estudo da Microsoft sobre o tema, no qual 45% dos brasileiros questionados disseram que a pandemia aumentou o seu "burnout", como é conhecido o esgotamento físico e mental gerado por stress no trabalho, que pode levar ao surgimento de quadros de depressão.

O público alvo são o que a empresa chama de “trabalhadores de linha de frente”, profissionais que têm contato direto com o cliente, em funções de vendas, consultoria ou atendimento, além do “setor de informação”, o que parece agrupar analistas e similares.

O estudo da Microsoft ouviu e 6 mil pessoas em oito países (Austrália, Brasil, Alemanha, Japão, Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos), além de analisar dados do uso do Microsoft Teams, a ferramenta de colaboração da empresa, ao longo dos últimos seis meses, período no qual as medidas de quarentena entraram em vigor e o home office explodiu.

Os brasileiros lideram o ranking de stress apesar do seu aumento do número de tempo trabalhado por dia ter ficado em 1,1 hora, um salto de 21%, próximo da média.

Os Estados Unidos tiveram um aumento similar, de 1,3 horas, mas ficaram com um incremento de stress menor na faixa de 31%.

Não trabalhar muito a mais parece pesar. Os alemães pesquisados tiveram o menor aumento de carga de trabalho de todos (0,8 hora) e de longe o menor acréscimo na sensação de exaustão e estresse, com 10%.

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Em todo o mundo, a preocupação de contágio do coronavírus lidera a lista, seguido pela falta de separação entre o trabalho e a vida pessoal, a sensação de desconexão dos colegas, e horas de trabalho ou uma carga de trabalho difíceis de administrar. 

De acordo com os dados mundiais,  quase 30% dos trabalhadores não receberam de sua empresa os equipamentos tecnológicos ou de proteção necessários para  que pudessem manter o distanciamento social, um número que deve ser maior no Brasil.

Os dados mostram ainda que, mesmo depois de mais de seis meses das primeiras ordens para trabalhar de casa, as pessoas estão participando de mais reuniões, atendendo a mais chamadas não programadas, e tendo que lidar com mais mensagens que chegam do que faziam antes da pandemia. Conversas após o horário comercial, ou entre 17 horas e meia-noite, também aumentaram. 

O mais interessante é notar que a quantidade de usuários do Teams enviando essas mensagens depois do horário comercial mais do que dobrou.

Um terço dos trabalhadores remotos disseram que a falta de separação entre o trabalho e a vida pessoal está afetando negativamente seu bem-estar. 

O problema é tão grande que os profissionais estão sentindo falta até do trânsito para voltar para casa.

“As pessoas dizem: ‘Que bom não ter mais que sair de casa para trabalhar. Estou economizando tempo’. Mas sem uma rotina para se preparar e aumentar seu nível de energia para o trabalho e depois relaxar, estamos emocionalmente exaustos no final do dia”, avalia Shamsi Iqbal, principal pesquisador da Microsoft Research.