Marco Zanini, CEO da Dinamo. Foto: Divulgação.

A Dinamo Networks, fabricante brasileira de hardware para guarda segura de certificados digitais, acaba de receber um aporte de R$ 3 milhões da Soluti, uma das maiores companhias de certificação digital do país.

Com o negócio, a Soluti passa a ser dona de 10% da Dinamo. Outros duas participações na companhia estão sendo negociadas com outras autoridades certificadoras e devem ser concluídos em breve.

A ideia da venda de participações é alavancar o Dinamo Pocket, uma versão mais barata do produto de hardware security module (HSM) com o qual a Dinamo entrou no mercado em 2012 com um produto homologado no Brasil focado em grandes organizações.

O produto típico da Dinamo custa na faixa dos R$ 250 mil e é instalado dentro de data centers de clientes do segmento bancário ou de telecomunicações, onde serve para garantir a autenticação segura de milhares de transações por dia. Nesse mercado, a companhia compete com multinacionais como a Thales.

O Dinamo Pocket foca um mercado bem diferente. Por R$ 12 mil ou R$ 400 mensais um escritório de contabilidade pode armazenar na nuvem de forma segura os certificados de até 200 clientes.

“Esse tipo de gestão ainda é feita de maneira amadora em muitos lugares. Basicamente os tokens com os certificados ficam numa caixa de sapatos com as senhas coladas com um post it”, Marco Zanini, CEO da Dinamo.

O acordo fechado com a Soluti faz parte de uma nova estratégia para o produto, no qual a Dinamo usará as ACs como representantes dos seus produtos. A ideia é vender a solução “empacotada” junto com os certificados. 

Outros públicos potenciais são organizações como escritórios de advocacia e hospitais com prontuários eletrônicos, que muitas vezes tem um número significativo de certificados, mas não o suficiente para investir em HSM por conta própria. Hoje já existem 10 milhões de certificados digitais em uso no Brasil.

De acordo com Zanini, a estratégia de ter as ACs revendendo o mesmo produto e com condição de sócias na empresa não oferece maiores complicações.

“As empresa de certificação competem mais em cobertura geográfica e atendimento do que propriamente em produto”, explica Zanini, destacando que a migração para um modelo de mensalidades organizado ao redor do Dinamo Pocket tem o potencial de fidelizar mais os consumidores.

A empresa tem planos ousados para a nova tecnologia, com a meta de que ela represente 30% das vendas já em 2018 e alcance 80% num prazo de cinco anos. A ideia é que 80% desse total seja em clientes atendidos como serviço, gerando assim receita recorrente.

Os investimentos das ACs na Dinamo acontecem em um contexto de reposicionamento da sua controladora, a Globalweb, que tem uma experiência acumulada de 20 anos em gestão de data centers, service desk e outsourcing de TI. 

A empresa vem procurando um novo rumo nos últimos anos. Em 2015 a Globalweb divulgou que estava buscando um sócio internacional para capitalizar o negócio, o que acabou não se concretizando.

No começo no ano passado, a empresa decidiu vender a Compusoftware, uma empresa do grupo com forte presença em tecnologia Microsoft, para os russos da Softline.

Não foi divulgado o valor da venda, mas a Globalweb cortou na carne: segundo foi divulgado na época, a Compusoftware respondia por 40% da receita.