Renato Ciuchini, Head de Estratégia e Transformação Digital da TIM Brasil. Foto: divulgação.

A TIM Brasil fechou um acordo com o Google Cloud para usar a plataforma de nuvem da empresa para fazer big data, analytics e machine learning.

Pelo que a TIM descreve em nota, os serviços serão usados internamente, para fazer “análises em tempo real e obter insights exclusivos sobre seus negócios”.

O Google Cloud será responsável pelo fornecimento da Google Cloud Platform (GCP) e também de toda a consultoria que envolve a migração do ambiente atual, redesenho e otimização em nuvem, além do apoio na construção do CoE (Centro de Excelência) da TIM, que será responsável em fazer toda a gestão do ambiente após sua conclusão.

A TIM não deu maiores detalhes sobre qual será a nova configuração da sua infraestrutura, se usuará os seus data centers próprios para rodar a nuvem do Google ou terá uma configuração mixta, com parte dos dados sendo processados na nuvem pública.

"Estamos em um processo intenso de transformação digital dentro da companhia e acreditamos que a parceria com o Google Cloud vai nos ajudar a entender ainda melhor as necessidades dos nossos clientes", afirma Renato Ciuchini, Head de Estratégia e Transformação Digital da TIM Brasil.

O head de Google Cloud para o Brasil, Marco Bravo, deu mais alguma pista, ao afirmar no release de divulgação da TIM que o acordo de ajudar a operadora a “monetizar o 5G como uma plataforma de negócios, capacitando-os a engajar melhor seus clientes por meio de experiências orientadas por dados e ajudando-os a melhorar a eficiência operacional".

Por meio do acordo, a operadora também fará uso de outros serviços da plataforma Google Cloud, como BigQuery, Dataproc, Dataflow, Cloud Composer, Data Fusion e Google Kubernetes Engine.

Em nota, a TIM afirma que esses serviços ajudarão a simplificar a integração, permitindo que os cientistas e analistas de dados sejam mais produtivos, focando os esforços em otimizar processos e serviços da operadora e atuando em parceira com a Google, usando os serviços de PaaS (Plataform as a Service) para simplificar a configuração e gestão da infraestrutura.

"As soluções que teremos acesso a partir da plataforma do Google Cloud irão nos permitir simplificar e evoluir nossa arquitetura, além de possibilitar o tratamento e uso das informações de forma cada vez mais eficaz para que possamos criar ofertas e produtos sob medida para nosso cliente e facilitar sua vida", complementa Auana Mattar, CIO da TIM Brasil.

No final do ano passado, a Telecom Italia, controladora da TIM Brasil, fechou um acordo bem mais amplo com o Google, visando a adoção das tecnologias da empresa tanto internamente como externamente, com a criação de uma companhia separada focada no mercado de computação em nuvem na Itália.

Ao contrário de concorrentes como Oi, Claro e Telefonica, a TIM nunca teve um negócio focado em oferecer computação em nuvem para clientes corporativos, algo que começou com força no Brasil em 2012, quando a resposta por quem iria dominar o mercado de cloud ainda era uma incógnita.

Hoje, está claro que é um jogo para poucos, incluindo principalmente AWS, Microsoft e Google, com meia dúzia de outras empresas correndo por fora em nichos.

Nos últimos tempos, as operadoras parecem ter se dado conta que não tem como criar uma oferta competitiva de cloud computing com tecnologia própria para o mercado ou para uso interno.

A movimentação tem sido fechar acordos com os grandes players de tecnologia e enxugar a quantidade de data centers.

No Brasil, por exemplo, a Oi assinou em abril de 2019 um acordo com a Oracle para usar tecnologia de nuvem da empresa nos seus próprios data centers.

Descrito pelas duas empresas como um “acordo inédito no mundo”, o projeto seria uma das maiores migrações de sistemas já realizadas na América Latina.

No final de outubro de 2019, a Oi deu o passo seguinte, anunciando que ia vender pelo menos uma dezena de data centers no Brasil, como parte de uma estratégia mais ampla de se livrar de “ativos não estratégicos” e capitalizar a operadora para investimentos em novos desafios no seu negócio principal, como o 5G.

Os data centers da Telefônica no Brasil, assim como outras estruturas do tipo pelo mundo, estão à venda, em um negócio avaliado em US$ 600 milhões que está sendo disputado por Brookfield, Digital Realty e Equinix.

Uma exceção é a Claro. Em outubro de 2019, a operadora comprou 40% da Ustore, uma startup pernambucana com forte presença no campo de soluções para infraestrutura na nuvem,  a base tecnológica dos chamados ambientes multicloud.

O software dos pernambucanos faz rodar o Painel MultiCloud Embratel, que oferece gestão, bilhetagem, orquestração e provisionamento de recursos, serviços e aplicações de múltiplas nuvens públicas e privadas.

A Embratel tem cinco data centers próprios no Brasil e tem planos de se tornar um dos maiores players no mercado de TI brasileiro nos próximos anos, com uma oferta indo desde telecomunicações até implantação de sistemas, passando por outsourcing de TI, service desk e fábrica de software.

A Claro pretende reproduzir no Brasil por meio da Embratel o seu posicionamento no México, onde disputa mercado com IBM, HPE e Softtek desde que comprou a Hildebrando em 2013.

Um dos principais desafios é superar a desconfiança dos compradores corporativos sobre a qualidade dos serviços.

A Frost & Sullivan fez uma pesquisa com 121 diretores de tecnologia de médias e grandes empresas do país em 2013, na qual 20% sustentou que não confiava no serviço fornecido pelas operadoras.

Empresas de data center sofriam a desconfiança de só 3% e os grandes players globais de TI, 3%.