"Gostou do meu data center? Comprei da Oi". Foto: Pexels.

A Oi vai vender pelo menos uma dezena de data centers no Brasil, como parte de uma estratégia mais ampla de se livrar de “ativos não estratégicos” e capitalizar a operadora para investimentos em novos desafios no seu negócio principal, como o 5G.

A revelação foi feita pelo diretor de Operações da Oi, Rodrigo Abreu, durante uma apresentação na Futurecom nesta quarta-feira, 30.

Abreu não disse um número exato de data centers a ser vendido, mencionando apenas que eles serão “pelo menos uma dezena”. O executivo também não deu pistas sobre o critério de seleção dos centros, apenas que espera que a venda seja feita em até seis meses.

Não é de agora que a Oi dá pistas que está repensando seu negócio de data center.

Em abril, a operadora brasileira fechou um acordo de cinco anos com a Oracle para rodar nos seus data centers a solução de nuvem privada da multinacional americana.

Descrito pelas duas empresas como um “acordo inédito no mundo”, o projeto seria uma das maiores migrações de sistemas já realizadas na América Latina.

Na época, a Oi justificou a medida como uma forma de reduzir custos operacionais de infraestrutura, energia e espaço físico e ampliar investimentos em outros pontos estratégicos da cadeia de operação dos seus serviços de telecomunicações. 

Fica fácil de deduzir, então, que a Oi colocou a solução da Oracle na infraestrutura de data center que pretende manter e agora vai se livrar do resto. Mas o que é o resto? Difícil de dizer.

Em 2015, ao anunciar que estava dobrando seu data center em São Paulo, a Oi falava em “cinco data centers próprios no Brasil”.

Os data centers que agora serão vendidos provavelmente são um balaio de gatos oriundo do antigo sistema Telebrás, uma parte do qual virou a Oi com as privatizações nos anos 90.

Também devem estar na lista estruturas da antiga Brasil Telecom, incorporada pela Oi em 2009 (é o caso de Porto Alegre, onde a Oi tem hoje um data center na área central).

Junto com a Brasil Telecom, veio ainda a BrTurbo Empresas S.A, foi um portal de internet e provedor especializado em conexão banda larga criado em 2000 e em 2004 unificado no Internet Group formado por ele mesmo, o portal iG e o iBest. 

Entre 2012, quando lançou o Oi Smart Cloud, sua oferta própria de computação em nuvem, e 2015, quando foi feita a ampliação do data center de São Paulo, a Oi gastou R$ 52 milhões na sua oferta de cloud. 

Mais recentemente, foram outros R$ 25 milhões em uma parceria com a HPE e Ormuco, uma companhia canadense de software, para lançar uma renovação, que foi chamada de Oi Smart Cloud 4.0.   

Agora, com a parceria com a Oracle e a decisão de vender seus data centers, a Oi parece estar dando uma virada na sua estratégia para computação em nuvem. A operadora não está sozinha. 

Todas as operadoras brasileiras entraram no mercado de nuvem ao redor de 2012 e vem brigando para conquistar um espaço desde então. Muitas parecem ter se convencido que é hora de promover uma mudança de rumo.

Os data centers da Telefônica no Brasil, assim como outras estruturas do tipo pelo mundo, estão à venda, em um negócio avaliado em US$ 600 milhões que está sendo disputado por Brookfield, Digital Realty e Equinix.

A Telefônica tem 25 data centers em nove países, sendo oito deles na Espanha e três no Brasil. Um dos data centers brasileiros, inaugurado em 2012 em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, deve ser uma das jóias da coroa (os outros dois data centers brasileiros provavelmente são estruturas antigas).

Dentre os outros players, pouco tem se ouvido sobre o assunto computação em nuvem, sinal que talvez venham mudanças pela frente.

Uma exceção é a Claro. Em outubro, a operadora comprou 40% da Ustore, uma startup pernambucana com forte presença no campo de soluções para infraestrutura na nuvem,  a base tecnológica dos chamados ambientes multicloud.

O software dos pernambucanos faz rodar o Painel MultiCloud Embratel, que oferece gestão, bilhetagem, orquestração e provisionamento de recursos, serviços e aplicações de múltiplas nuvens públicas e privadas.

A Embratel tem cinco data centers próprios no Brasil e tem planos de se tornar um dos maiores players no mercado de TI brasileiro nos próximos anos, com uma oferta indo desde telecomunicações até implantação de sistemas, passando por outsourcing de TI, service desk e fábrica de software.

A Claro pretende reproduzir no Brasil por meio da Embratel o seu posicionamento no México, onde disputa mercado com IBM, HPE e Softtek desde que comprou a Hildebrando em 2013.

Um dos principais desafios é superar a desconfiança dos compradores corporativos sobre a qualidade dos serviços.

A Frost & Sullivan fez uma pesquisa com 121 diretores de tecnologia de médias e grandes empresas do país em 2013, na qual 20% sustentou que não confiava no serviço fornecido pelas operadoras.

Empresas de data center sofriam a desconfiança de só 3% e os grandes players globais de TI, 3%.