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PSDB: bomba cai na mão da Relatasoft

24/11/2021 06:20

Tucanos desistem de esperar pela Faurgs e arrumam um novo fornecedor para as prévias.

Eleições viraram constrangimento para tucanos. Foto: flickr.com/photos/raimacedo/

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A Relatasoft, uma empresa sediada em Campinas especializada em votações eletrônicas, será a responsável por dar um jeito nas prévias do PSDB, que estão paralisadas desde o domingo, 21, depois que o app para votação à distância não funcionou.

O anúncio foi feito pela cúpula do PSDB na terça, 23, depois de dois dias de espera por uma posição da Fundação de Apoio à Universidade do Rio Grande do Sul (Faurgs) sobre a causa dos problemas no seu app.

O sistema da Relatasoft será testado, o que não implica que o da Faurgs, desenvolvido com R$ 1,3 milhão em verbas do fundo partidário, não acabe sendo usado no final. 

O segundo turno da eleição está marcado para o próximo domingo, 28.

Segundo informa o Teletime, o presidente da Relatasoft, Leonardo Cunha disse ao PSDB que o partido já entregou 20 projetos do time, entre elas as eleições do time de futebol do Bahia. 

Cunha é o sócio da empresa com os contatos políticos, mantendo um escritório de advocacia em Brasília e tendo atuado como consultor no Senado e membro do board do Instituto Brasileiro de Direito e Política da Informática.

Carlos Marques, o outro sócio começou a carreira ainda nos anos 80 na Edisa, empresa brasileira que foi comprada pela HP em 1992. Depois, passou outros 10 anos na HP em cargos de gerência

Segundo apurou o Teletime, a Relatasoft foi uma das candidatas do programa Eleições do Futuro, do Tribunal Superior Eleitoral, que tem como objetivo proporcionar evoluções tecnológicas disponíveis ao pleito nacional, como a utilização de celular ou tablet do próprio eleitor. 

Parecem boas credenciais para resolver o grande pepino que viraram as eleições internas do PSDB visando definir o candidato do partido para as eleições presidenciais em 2022.

Mais de 44 mil tucanos cadastrados, entre filiados e mandatários, deveriam ter votado em um dos três pré-candidatos, mas a estimativa é que nem 10% tenham conseguido. O app funcionou por pouco mais de uma hora.

Em nota divulgada no domingo da eleição, a Faurgs afirmou que está "investigando" as causas do problema, mas já afirma de antemão que os problemas "não tem qualquer relação", com a compra de licenças para suportar o reconhecimento facial dos filiados. 

Segundo a fundação, a prova disso seria que o processo de cadastramento dos eleitores foi feito com reconhecimento facial.

Em nota divulgada nesta terça, o PSBD queimou publicamente a Faurgs, afirmando em nota que foi “vítima de um problema técnico nas prévias” e que a fundação ainda não havia apresentado um diagnóstico do ocorrido.

De acordo com a CNN, durante nova reunião técnica na terça, na sede do partido em Brasília, houve “mal-estar” com a falta de conclusões por parte da fundação gaúcha. 

Já no domingo, a Faurgs e o seu aplicativo estiveram no centro de uma troca de acusações entre o governador gaúcho Eduardo Leite e o paulista João Doria, que disputam a nomeação do partido.

“Foi alertado durante todo o processo sobre a fragilidade do aplicativo e os problemas de instabilidade e insegurança que o modelo proposto poderia trazer para as primárias”, afirmou Doria em nota.

O texto inclui ainda uma indireta (bom, nada indireta) entre colchetes, ao informar que a Faurgs seria “sediada em Pelotas”, onde todo mundo sabe que Leite começou sua carreira política como prefeito.

Leite rebateu a insinuação, afirmando a jornalistas que a informação sobre a sede da Faurgs era “mais uma mentira da campanha adversária”. A entidade é sediada em Porto Alegre.

A Faurgs é conhecida no setor de tecnologia do Rio Grande do Sul pela sua atuação como fornecedora de desenvolvimento de software do banco estadual Banrisul ao longo dos últimos 20 anos.

Em uma ocasião, por coincidência também durante uma administração tucana, a fundação se viu envolvida numa polêmica quando o vice-governador, Paulo Feijó, fez denúncias sobre irregularidades envolvendo contratos de TI do banco estatal gaúcho com a Faurgs.

A consequência foi a suspensão de contratos e a assinatura de um termo de ajuste de conduta por parte do Banrisul com o Ministério Público

As suspeitas sobre os problemas na votação se adensam porque a votação pelo app é mais importante para Doria do que para Leite. 

São Paulo representa 62% dos cadastrados para votar e o grupo de filiados sem mandato é o seu principal trunfo no pleito.

Leite, por outro lado, tem mais apoio entre os eleitores com mandato, deputados e senadores, cujo voto pesa mais na primária. Além disso, eles votaram presencialmente, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A votação presencial não teve problemas.

Olhando por outro lado, as falhas no aplicativo de votação parecem ser um caso de adaptação ao modelo de gestão interna do PSDB, no qual prévias marcadas pelo caos tem um papel especial.

A prévia de ontem não foi exceção. O longo período de espera no domingo acabou sendo marcado por episódios de brigas entre correligionários, em uma delas, dois homens por pouco não se agrediram fisicamente.

* Alterado no dia 26.11, nos parágrafos referentes à relação da Faurgs com o Banrisul.

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