Fundo está atrás de iniciativas de IoT. Foto: Pexels.

O paulista Indicator Capital será o gestor do fundo de R$ 160 milhões focado em startups que desenvolvam produtos e serviços para Internet das Coisas criado no ano passado por BNDES e Qualcomm.

As duas parceiras estão colocando R$ 40 milhões cada uma na iniciativa e esperam arrecadar o restante entre outros investidores. 

O foco é empresas em empresas com soluções de IoT em estágio inicial de desenvolvimento, com aplicações de hardware, software e análise de dados voltadas prioritariamente para em áreas estratégicas, como manufatura avançada, cidades inteligentes, saúde, e smart agro. 

Devem ser investidas 14 companhias ao longo de 10 anos.

“Esperamos que a Indicator Capital capte outros investidores privados, inclusive no modelo de corporate venture, catalisando um círculo virtuoso de investimento em pequenas companhias de base tecnológica", explica Filipe Borsato, chefe do Departamento de Gestão de Investimentos em Fundos do BNDES.

O Indicador Capital tem entre os sócios gestores Fabio Iunis de Paula, ex- diretor de desenvolvimento de negócios LatAm da Intel e por mais de uma década diretor de investimentos do Intel Capital.

O COO é Mauro Percinoto, sócio fundador da Gliq Tecnologia, uma empresa de serviços dedicada a infraestrutura de TI ex-gerente de vendas da IBM.

Criado em 2014, o fundo investiu até agora em 12 startups, incluindo a o software de automação de marketing Social Miner, as fintechs IOUU e Iugu e a Back4App, uma plataforma de desenvolvimento de apps.

O governo federal tem feito muito barulho em torno do assunto de IoT como um viabilizador da chamada Indústria 4.0, na qual sensores em maquinário e produtos combinados com softwares analíticos abrem uma série de novas possibilidades.

O secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência e Tecnologia, Maximiliano Martinhão, chegou a dizer que o investimento em IoT será um marco para a economia brasileira, comparável ao processo de privatizações ocorrido na década de 1990.

O estudo "Internet das Coisas: Um plano de ação para o Brasil", realizado em 2018 por um consórcio liderado pela consultora McKinsey, e patrocinado pelo BNDES e pelo MCTI, indicou como prioritários quatro ambientes para o desenvolvimento de IoT no Brasil: cidades inteligentes, saúde, rural e indústria 4.0; o que serviu de base para a definição do foco do atual fundo de IoT. 

De acordo com o trabalho, o impacto econômico global da massificação das tecnologias loT é estimado em até US$ 11 trilhões, superando os efeitos de outras tecnologias como a robótica avançada, computação em nuvem e mesmo a Internet móvel. 

No Brasil, é estimado que a Internet das Coisas poderá ter impacto positivo na economia de cerca de US$ 200 bilhões até 2025.