Pinguim: "Pô, essa doeu". Foto: flickr.com/photos/beaglesnoop.

A Caixa Econômica Federal divulgou nesta terça-feira, 26, uma nota sobre a compra de R$ 112,09 milhões em produtos Microsoft na semana passada que pode ser vista como um balde de água fria para a comunidade do software livre.

Em nota enviada ao Baguete Diário, o banco afirma que “apesar dos esforços da Caixa e dos fornecedores para suporte e consultoria, não foram alcançados resultados satisfatórios em inúmeros projetos estruturantes da plataforma baseada em soluções de software livre”.

Por isso, o banco optou por atualizar os produtos da plataforma Microsoft adotados nos anos 90 e que não eram atualizados desde 2000, afirma a nota.

“Há produtos de elevado nível crítico que estão fora de suporte do fabricante, e outros estão na iminência dessa condição, impondo um risco de segurança e continuidade de serviços”, justifica a Caixa.

O edital do do pregão 116/7066-2012 ganho pela carioca Allen envolvia a compra de milhares de licenças da suíte de escritório Office, do serviço de e-mail Exchange, sistemas operacionais para servidores, soluções de comunicação Lync, Sharepoint, bancos de dados SQL e um longo etc.

A compra despertou indignação na comunidade do software livre, que tem no banco estatal um dos seus grandes cases no país.

“Estamos assistindo estarrecidos a um caso em que o software livre gerou grande economia, que depois é gasta com aquisição de software proprietário”, afirma Ricardo Fritsch, coordenador geral da Associação Softwarelivre.org em um comunicado divulgado no site da entidade.

Rodolfo Gobbi, diretor-geral da 4Linux, empresa que presta serviços associados a softwares open source na Caixa, fez um post no blog da empresa comentando assunto no qual revela que a Caixa travou as iniciativas relacionadas ao tema.

De acordo com Gobbi, a 4Linux customizou uma distribuição Linux Debian e o correio eletrônico Expresso Livre para instalação no banco. Apesar de homologadas e premiadas internamente, ambas não foram implementadas em massa, afirma o empresário.

A Caixa frisa que a aquisição das licenças Microsoft não significa um abandono das iniciativas open source, que de acordo com a instituição já evitaram a aquisição de 62 mil licenças de sistema operacional proprietário.

Mas o banco também joga um balde de água fria nos que esperavam uma migração completa para código aberto: “Assim, a Caixa reafirma que acredita na convivência entre as soluções e plataformas, utilizando o software livre onde for possível, e o software proprietário onde for necessário”.

Confira a íntegra da nota da Caixa:

Prezado Maurício,

A Caixa Econômica Federal, alinhada à diretriz do Governo Federal de utilizar soluções com padrões abertos e sob licença pública, acredita no uso do software livre para prover serviços de TI nos níveis de qualidade, segurança e desempenho exigidos pelos negócios da empresa.

Estão em curso vários projetos baseados em software livre. Todos os projetos já implementados obtiveram sucesso e permanecem ativos, respondendo às necessidades corporativas. Com a utilização de soluções em software livre, a CAIXA evitou a aquisição de 62.000 licenças de sistema operacional proprietário. A CAIXA esclarece que não há orientação para a descontinuidade de qualquer projeto de substituição de sistema proprietário por sistema livre.

A CAIXA ressalta ainda que seu ambiente computacional foi estruturado na década de 90 sobre a plataforma de soluções Microsoft. A última atualização tecnológica dessa plataforma foi no ano 2000. Portanto, há produtos de elevado nível crítico que estão fora de suporte do fabricante, e outros estão na iminência dessa condição, impondo um risco de segurança e continuidade de serviços.

Apesar dos esforços da CAIXA e dos fornecedores para suporte e consultoria em software livre, não foram alcançados resultados satisfatórios em inúmeros projetos estruturantes da plataforma baseada em soluções de software livre. Isso implica na manutenção da infraestrutura de TI sobre a plataforma proprietária instalada.

Assim, a CAIXA reafirma que acredita na convivência entre as soluções e plataformas, utilizando o software livre onde for possível, e o software proprietário onde for necessário.

Assessoria de Imprensa da CAIXA