Larry Ellison: "Por essa eu não esperava".

A compra da Netsuite, um negócio de US$ 9,3 bilhões fechado pela Oracle em 2016, está virando um rolo judicial.

Em 2017, alguns dos acionistas da empresa entraram na Justiça, alegando que o valor da compra foi inflacionado para beneficiar o fundador da Oracle, Larry Ellison, que era dono de 40% da Netsuite enquanto pessoa física, e botou US$ 4 bilhões no bolso com a venda.

Na semana passada, um comitê formado por três integrantes do board da Oracle e que estava negociando um acordo com os acionistas, decidiu dar sinal verde para a discussão seguir para os tribunais.

Os documentos nesse sentido foram revelados pela Reuters e envolvem algumas particularidades contábeis e judiciais de Delaware, um pequeno estado americano onde muitas empresas estabelecem sua sede por motivos tributários.

Em resumo, os integrantes do board se viram na complicada situação de ter que deixar que um processo contra o dono da empresa siga adiante.

A Oracle pagou US$ 109 por ação da Netsuite, uma provedora de software de gestão na nuvem, o que é um preço cerca de 60% maior do que o valor que elas estavam sendo negociada na bolsa na época.

O valor maior não é, por si só, um indicador de má conduta. Na época, a Oracle estava brigando para reforçar sua posição como provedora de software de gestão na nuvem e a Netsuite, uma companhia fundada nesse modelo de negócio, era um ativo estratégico.

É o tipo de compra que faz empresas estabelecidas abrir a mão. Anos antes, em 2011, a SAP pagou US$ 3,4 bilhões pela Sucess Factors, uma provedora de soluções de RH na nuvem, um valor que era 52% superior ao valor das ações na bolsa.