Desculpability é o hábito de achar que o problema dos outros nunca é nosso. Foto: Pixabay.

Provavelmente, não! 

Mas, com certeza, ao ler este texto, vai se identificar com diversas atitudes e situações protagonizadas por você mesmo e por pessoas com que você trabalha e convive diariamente. 

O propósito deste artigo não é explicar o que é Desculpability para, depois, ficar apontando os erros dos colegas, amigos e familiares, mas sim para termos a capacidade de olhar para nós mesmos, prestar atenção nas nossas próprias ações e falas, para que, com maior consciência, possamos melhorar um pouco a cada dia e sair desta prisão que é a Desculpability...

Desculpability é um termo criado pelo palestrante, autor e especialista em desenvolvimento pessoal João Cordeiro. Em seu livro “Desculpability” é relatado detalhadamente o que esta palavra significa: 

 

Desculpability é o hábito de criar desculpas, de culpar os outros e de achar que o problema dos outros nunca é nosso.

 

Neste contexto, o indivíduo que é “Mestre em Desculpability” nunca se vê como parte do problema que existe, pois o problema é sempre externo, pertencente a outras pessoas (cônjuge, chefe, governo, mercado, concorrente, etc). Infelizmente, conforme relata o autor em seu livro, este hábito é inato (nasce com a gente) e vai tomando conta naturalmente de cada um de nós (e quanto mais fazemos, menos nos damos conta), afastando de si qualquer responsabilidade, criando desculpas e culpando os outros de formas extremamente criativas.

 

Dentro das organizações, atualmente, podemos encontrar 3 tipos de profissionais, conforme relata João Cordeiro:

Engajados: estão realizados em seus cargos e empresas;

Desengajados: não colocam paixão no que trabalham, mas fazem o que é pedido;

Ativamente desengajados: não estão contentes com seu trabalho e fazem questão de compartilhar esse estado de espírito, fazendo mal a si mesmo e aos demais. Contagiam os demais, são aqueles que estão sempre fofocando, reclamando ao pé do ouvido dos colegas, incitando insatisfação e sempre posando de vítimas. O pior é que reclamam da empresa para os colegas, em casa e, até mesmo, na frente do cliente.

 

Os ativamente desengajados são o que chamamos de “Mestres da Desculpability”. A melhor representação é o personagem Homer Simpson, autor das frases abaixo:

“A culpa é minha, e eu a coloco em quem eu quiser.”

“Se não puder ajudar, atrapalhe, o importante é participar.”

“Lisa, se você não gosta do seu emprego, você não faz uma greve! Você vai lá e faz seu trabalho malfeito.”

 

O personagem e suas frases são engraçadas, mas cuidado e bastante atenção para a reflexão a seguir:

Será que eu não sou (ou estou me tornando) um Mestre da Desculpability?

Será que eu não sou (ou estou me tornando) um Homer Simpson?

 

Para esta reflexão e para que possamos nos policiar e ter uma atitude de controle ativo do que falamos e fazemos, abaixo estão elencadas as principais frases de Desculpability que são ouvidas nas organizações. 

“Eu não sabia”;

“Não recebi o email”;

“Isso sempre foi feito assim”;

“Eu só fiz o que me mandaram”;

“Eu já enviei o email”;

“O mercado está ruim”

“Eu fiz a minha parte”;

“Isso não é minha função”;

“Já deu meu horário”;

“Esse cliente não é meu”;

“Nosso preço está fora”;

“Esse problema não é meu”.

 

Perceba a postura passiva que estas frases demonstram de não querer ver a situação, fingir que não há problemas, apontar culpados, reclamar, ficar esperando direcionamento e agir como vítima/coitado.

Como dito anteriormente, esta postura contagia os demais colegas e tem consequências para a organização: aumenta o estresse, ridiculariza o processo de avaliação/meritocracia, destrói a imagem da empresa no mercado e dificulta o planejamento e, ainda mais, a execução...

A contrapartida à Desculpability, a forma como podemos reduzi-la no dia a dia e mantê-la sob controle é pelo desenvolvimento da Accountability, que é uma postura ética ativa de responsabilidade perante os demais, sendo responsável por suas atitudes, pensando e agindo como dono e entregando resultados excepcionais. Só depende de cada um de nós...

Não deixe a Desculpability tomar conta e acabar com sua capacidade de ação!

Torne-se um “Mestre da Accountability Pessoal”!

*Por Biagio Caetano, diretor executivo e consultor da BCF Consultoria, e Bertran Filomena, diretor de operações e vonsultor da BCF Consultoria e mestre em administração pela UFRGS.