Dennis Herszkowicz assume o comando de uma das maiores empresas de software do país.

Dennis Herszkowicz, ex-CFO da Linx, acaba de assumir o cargo de diretor presidente da Totvs, movimento com o qual Laércio Cosentino, o fundador da empresa, sai do comando no dia a dia para ser o presidente do conselho de administração.

Como diretor-presidente, Herszkowicz responderá pela condução da estratégia de crescimento, operação, resultados, gestão de pessoas e se reportará ao Conselho de Administração.

Herszkowicz foi sócio e diretor da Linx entre 2003 e 2018. Como CFO, a partir de 2012, foi responsável pela abertura de capital da empresa e a condução de mais de 20 aquisições.

Entre 2017 e 2018, foi vice-presidente executivo de Novos Mercados, Unidade de Negócios focada em Fintech.

O novo diretor presidente da Totvs participou de anos de crescimento acelerado na Linx, que tornaram a empresa líder em soluções de tecnologia para varejo, com uma série de ferramentas por verticais como roupas, lojas de conveniência ou postos de gasolina, e, mais recentemente, diferentes aspectos do comércio eletrônico.

A receita operacional bruta da Linx chegou a R$ 656,1 milhões no ano passado, o que correspondeu a um aumento de 15,5% em relação a 2016.

A Totvs, no entanto, ainda é uma empresa bem maior, com faturamento de R$ 2,2 bilhões em 2017, soluções em 10 verticais diferentes, inclusive varejo, e a liderança indiscutível entre as empresas brasileiras de ERP.

“Após um ciclo de 16 anos de sucesso no varejo, vejo esta oportunidade de evolução em minha carreira, assumindo a liderança executiva de uma empresa líder, com soluções em dez segmentos e presença em vários países”, afirma Herszkowicz.

A Totvs agiu rápido. Herszkowicz deixou a Linx no final de setembro, anunciando na ocasião que estava em "busca de desafios".

Se Herszkowicz não estava usando um chavão e a movimentação com a Totvs não estava já nos planos, a companhia se aproximou do executivo, fez sua proposta e fechou o acordo em dois meses.

Como chairman, Laércio se focará no apoio à transição, na definição e no acompanhamento da estratégia e na proximidade de clientes e mercado como representante do Conselho de Administração.

“É com satisfação que anuncio o início de uma nova fase para a Totvs. Seguimos com a premissa de continuar ousando e se desafiando com crescimento, fortalecimento de nossa relevância e continuidade do espírito empreendedor”, reforça Cosentino.

O anúncio de transição na Totvs não é uma surpresa. Ainda que o assunto não tenha aparecido nos últimos meses, durante os quais a companhia atravessou um período complicado na transição do seu modelo de negócios de licenças para assinaturas de software, a sucessão estava nos planos.

De fato, essa é a segunda tentativa de um movimento como este dentro da Totvs. 

A primeira foi em 2015, quando a Totvs anunciou a contratação de Rodrigo Kede, um jovem executivo que havia feito carreira sempre na IBM, para assumir o mesmo cargo de diretor presidente.

Seis meses depois, ele estava de volta na IBM, agora com um cargo melhor, pouco dias depois da Totvs ter anunciado sua saída por um “problema de saúde” com “impactos pessoais e familiares”.

A contratação de Kede foi um pouco diferente. Na época, a Totvs convocou a imprensa em peso para São Paulo para anunciar um programa de transição de três anos durante os quais o novo diretor presidente dividiria o poder com Cosentino, até assumir totalmente o comando do negócio.

Agora, a Totvs divulgou a transição apenas através de um comunicado, tratando a mesma como um fato consumado, sem períodos de transição. O que permaneceu constante é a aposta por trazer um executivo de fora.

Herszkowicz deverá ter uma missão um pouco mais simples do que a de Kede, mas não muito. A seu favor, o novo diretor presidente tem o fato de não ter que conviver em um arranjo de divisão de poder.

Por outro lado, a missão de ocupar o lugar de Laércio Cosentino não é fácil. Cosentino tem uma das trajetórias mais bem sucedidas do setor de tecnologia no Brasil, só comparável com a de Marco Stefanini, fundador da Stefanini, outro gigante da área.

Cosentino começou a sua escalada em 1983, com 23 anos, como diretor na Siga, atuante no ramo de "processamento de dados", uma definição que hoje soa antiquada, mas na época dominava o mercado.

De olho nas oportunidades trazidas pela popularização dos PCs, eles fundou uma nova empresa, a Microsiga, junto com o fundador da Siga, Ernesto Haberkorn.

Desde então, a Microsiga começou um processo de consolidação no mercado brasileiro de ERP que envolveu dezenas de aquisições.

Já com o nome Totvs, a empresa fechou em 2008 o maior negócio do setor de software brasileiro, com a aquisição da Datasul por R$ 700 milhões.

Aos 58 anos, Cosentino poderia aspirar a conduzir a Totvs por mais uma década. No entanto, decidiu sair, no que pode vir a ser uma das decisões mais importantes tomadas à frente da empresa.