GOVERNO

Serpro: adiante com plano de ser cloud broker

26/11/2019 15:01

Estatal de TI está em busca de provedores de serviços de computação em nuvem.

Sede do Serpro em Brasília: barco está mudando de direção.

Tamanho da fonte: -A+A

O Serpro abriu um edital buscando provedores de serviços em nuvem interessado em atender o governo em um a regime de “parceria de negócios” com a estatal, a maior fornecedora de serviços de tecnologia para a administração pública brasileira.

A participação está aberta a empresas nacionais, multinacionais com sede no Brasil e mesmo sem presença local, desde de que elas tenham um representante com capacidade jurídica para assinar a proposta.

Os centros de dados dos eventuais parceiros precisarão estar no Brasil e de acordo com uma série de normas, incluindo SOC 3 ou equivalente; ISO 27001, ISO 27017 ou CSA Star Certification Level Two ou superior e ISO 27018 ou ISO 27018.

Os interessados devem possuir, ainda, comprovação válida que o provedor de serviços em nuvem está em compliance com o Cybersecurity Framework (CSF – Estrutura de segurança cibernética) definido pelo National Institute of Standards and Technology (NIST).

Os requisitos de qualificação técnica incluem, entre outros, usar uma plataforma que permita o provisionamento com autoatendimento por meio de APIs e console de gerenciamento e portal web. 

Para os provedores de serviços de Infraestrutura como Serviço (IaaS), serão pedidos no mínimo, dois datacenters em território nacional e a capacidade de replicar os dados com failover automático. 

Na proposta, a empresa interessada deve propor configuração de oportunidade de negócio, o qual pode ser estabelecido por meio dos mais variados modelos associativos, societários ou contratuais, nos moldes da Lei das Estatais. E, por fim, demonstrar vantagem comercial para o Serpro com a parceria.

Com o anúncio dos editais, o Serpro dá o primeiro passo para se posicionar como um intermediador (ou broker, para usar o termo da moda) de serviços de computação privados para o governo.

As primeiras informações públicas nesse sentido aconteceram em setembro de 2017, quando de acordo com informações da imprensa o Serpro começou a negociar uma movimentação em conjunto com a Dataprev, a segunda maior fornecedora de TI do governo.

Na época, se falou que o objetivo era selecionar fornecedores até o final de 2017. 

Ao que parece, a nova administração do Serpro decidiu seguir sozinha. 

O presidente da companhia, Caio Paes de Andrade, anunciou em setembro planos para a empresa que incluíam o posicionamento como broker, além de uma entrada mais forte no mercado de empresas privadas.

O carro chefe do Serpro no mercado privado é o oferecer processamento de dados públicos a clientes, que incluem desde os aplicativos de transportes Uber e 99 até bancos digitais e redes varejistas, como a Havan.

O plano de virar um “broker” é uma reação aos novos ventos na estratégia de TI em Brasília, que já vem soprando desde o governo Dilma Rousseff.

Em 2016, a secretaria de Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento já havia orientado os órgãos públicos a não investirem mais em infraestrutura própria, recomendando a contratação de computação em nuvem.

Com uma abertura cada vez maior para clouds oferecidas por fornecedores privados, estatais como o Serpro e Dataprev precisam mudar para seguir relevantes.

No final de 2018, a Embratel levou um grande contrato de computação em nuvem junto ao Ministério do Planejamento, um marco histórico.

A Embratel disputou a licitação com a sua subsidiária de outsourcing de TI e telecom, a Primesys. A proposta, de R$ 29,9 milhões, foi cerca da metade do que o edital previa. 

Ao todo participaram da disputa outros 11 nomes, incluindo grandes companhias como Tivit, Globalweb, Brasoftware, Capgemini, empresas de médio porte como BR Cloud, UOL Diveo, Binario e players menos conhecidos como GMAES, Central IT, RJR e Real Digital.

Ainda em 2012, o Serpro, estatal federal de processamento de dados, investiu R$ 40 milhões em duplicar seu data center de Brasília, e anunciou outros R$ 180 milhões para a construção de um novo centro em São Paulo.

O conceito ainda era que o Serpro deveria ser o provedor de computação em nuvem para o governo, como uma prolongação da estratégia de desenvolvimento interno de tecnologia baseada em software livre visando a “independência tecnológica” frente aos grandes fornecedores multinacionais de TI.

O único ponto da doutrina anterior sobre tecnologia que permanece é a exigência de que os servidores estejam em território brasileiro sob a jurisdição do país, o que está em linha com o que outros governos e mesmo empresas no exterior tem feito.

Veja também

SINAL
Venda do Serpro e Dataprev avança

Programa de Parcerias de Investimentos aprovou a venda das estatais de TI do governo federal.

BOLETOS
Serpro: vem aí pagamento de GRU no débito

Por enquanto, só em um piloto na Anvisa com cartão do Banco do Brasil.

REFORÇO
Glória Guimarães, ex-Serpro, é VP da Capgemini

Multinacional francesa contrata executiva de peso para a área de financial services.

PARE
Assespro contra os planos do Serpro

Para entidade, estatal de TI está se metendo onde não deve com planos na iniciativa privada.

ESTATAIS
Serpro: mercado privado e IPO

Presidente do Serpro anunciou planos ousados em entrevista à Reuters.

SEGURANÇA
Dados de aposentados do INSS vazam

Ao que tudo indica, funcionários estão vendendo dados para financeiras.

ESTATAIS
Andrade assume Serpro

Demorou mas foi. Empresário assume estatal de TI do governo federal.

ESTRATÉGIA
Debate sobre nuvem chega na Justiça

Mega contrato do TJ-SP com a Microsoft é suspenso, mas nada está decidido ainda.