Tecnologia permite identificar as pessoas pelo rostro. Foto: Pixabay.

A Acesso Digital, companhia paulista que quer se tornar o SPC quando o assunto é reconhecimento facial, acaba de dar um passo importante nesse sentido, ao fechar um acordo com o próprio SPC.

O SPC fechou um acordo com a Acesso Digital para oferecer a tecnologia para os seus clientes com o nome SPC Reconhecimento Facial. Segundo o SPC, o serviço é inédito no mercado de consultas de crédito. 

Na sua divulgação para a imprensa, o SPC não chega a mencionar a Acesso Digital, mas a companhia revelou o nome do parceiro quando questionada pela reportagem do Baguete. A Acesso Digital não retornou os contatos até o fechamento desta matéria.

Na nota, o SPC afirma que a meta é cadastrar cerca de 3 milhões de faces no primeiro ano de operação. 

É um acréscimo e tanto para a base da Acesso Digital, que afirma  já ter esse tipo de informações para um terço da população economicamente ativa do país (a empresa não abre o número exato mas isso é cerca de 30 milhões de pessoas).

“Buscamos oferecer um sistema altamente sofisticado aos lojistas que passam a evitar perdas e se prevenir de forma mais eficaz, ao mesmo tempo em que proporciona maior segurança aos seus clientes”, destaca Nival Martins, superintendente de bureau de crédito do SPC Brasil.

Nas consultas feitas pelos estabelecimentos será possível acessar informações do cliente para uma análise mais completa de crédito, como dados cadastrais do consumidor, informação de inadimplência, protesto, histórico de consultas realizadas e score de crédito (probabilidade de a pessoa ficar inadimplente ou não) em conjunto com as análises do reconhecimento facial.

Durante a fase de testes, utilizando o atendimento real de cinco lojistas (três no Nordeste, no Sul e outro no Centro-Oeste), o SPC Reconhecimento Facial conseguiu identificar e prevenir fraudes — que gera um custo médio de R$ 8 mil por incidência.

A Acesso Digital vem em alta. Em abril, a companhia fechou um acordo com o Nubank. 

Outros bancos digitais como Neon, Digio e Banco CBSS já eram clientes da Acesso Digital, fazendo a validação biométrica das selfies que compõe o processo de abertura de uma conta digital.

A meta da empresa é cadastrar em até três anos toda a população economicamente ativa do Brasil. A empresa afirma agregar 1 milhão de cadastros por mês.

Os dados de biometria facial vem de uma ampla gama de clientes, passando por varejistas físicos (Via Varejo, Magazine Luiza, Marisa, Pernambucanas e Riachuelo) e e-commerce (Máquina de Vendas, Ricardo Eletro e Ingresso Rápido).

Eles registram fotos dos clientes ao fazer cadastros de crediário ou como uma etapa de segurança no processo de venda online, durante o qual pode ser exigido o upload de uma foto do tipo selfie.

Assim como no caso das informações sobre inadimplência, as organizações tem um incentivo para compartilhar esses dados com uma base comum e se beneficiar do cruzamento de informações.

Outra fonte de cadastro são as empresas usuárias do Acesso RH (LATAM Airlines, GRSA, TIM e Santander), um sistema de admissão de funcionários por meio do qual são coletadas informações para o eSocial.

O negócio de biometria digital é uma mudança de rumos para a Acesso Digital, que foi fundada em 2007 com foco em digitalização e gestão de documentos.

A empresa chegou no ranking da Deloitte que indica as 250 pequenas e médias empresas que mais crescem no Brasil. Foram 142,2% de crescimento em dois anos, fechando com uma receita de R$ 26,2 milhões em 2013. 

A ênfase em biometria facial começou em 2016, com a aquisição da Arkivus, uma empresa de Londrina especializada no tema. Marcelo Zanelatto, ex-presidente da Arkivus, hoje é o líder do produto na Acesso Digital. 

Em agosto do ano passado, a companhia anunciou a entrada de Nelson Mattos, ex-VP mundial do Google, no seu conselho de administração.