Novas maneiras de sacar dinheiro. Foto: https://www.flickr.com/photos/mujitra

A Brink’s, gigante mundial de transporte por carros forte, acaba de lançar o Brink’s Pay, uma plataforma que quer transformar as caixas registradoras do varejo em uma espécie de ATM, no qual os clientes podem sacar dinheiro.

Em nota, a empresa informa que a ideia é colocar o serviço em aplicativos de bancos e fintechs como uma função extra.

Por um sistema de geolocalização, ele indicará quais estabelecimentos credenciados permitem o serviço de saque. Nesses locais, o cliente mostrará um QR-Code, dispensando o uso de cartões e pinpads.

Na nota, a empresa não menciona se já há algum banco ou fintech que aderiu, ou quais são as metas para o Brasil.

Para a Brink’s a jogada é que dessa forma o dinheiro vai girar nas lojas, reduzindo a necessidade visitas com carros fortes para retirar valores, o gera custos, e, principalmente no Brasil, riscos.

O serviço da Brink’s é uma tendência. No último CIAB, a Prosegur, grande concorrente da empresa em nível mundial, lançou um sistema similar.

A abordagem da Prosegur é um pouco mais simples. A empresa criou um cofre, que também tem uma função de saques para terceiros.

O cofre-caixa da Prosegur pode ser integrado ao sistema de TI do cliente, compartilhando informações sobre a quantidade de notas processadas, controlando depósitos e retiradas. 

O efeito final é o mesmo: aumentar a circulação do dinheiro e reduzir as visitas de carros fortes.

Com os lançamentos, Prosegur e Brink’s se tornam concorrentes da Saque e Pague, uma fintech gaúcha de ATMs fundada em 2014 e parte do grupo de empresas do empresário gaúcho Ernesto Corrêa, investidor por trás da criação da GetNet.

Uma parte dos 1,3 mil caixas da Saque e Pague fica instalada em locais nos quais circula dinheiro vivo, como postos de gasolina. Os proprietários depositam o dinheiro no caixa, que funciona como cofre. Os ATMs também recebem pagamentos.

Até onde a reportagem do Baguete pode averiguar, a empresa era a única até agora a fazer uma aposta forte na chamada “reciclagem de células” no Brasil.

Ainda que o uso dos caixas da Saque e Pague como “tesouraria terceirizada” fosse um dos principais atrativos no começo, hoje a empresa evoluiu em outra direção, tendo uma oferta bem mais ampla.

A Saque e Pague tem 24 clientes já dentro da sua plataforma e outros tantos em fase de integração.

O conjunto reúne desde bancos regionais, como o gaúcho Banrisul e o paraense Banpará, até cooperativas de crédito como a Unicred, empresas de cartão como a Edenred Brasil, dona do Ticket Empresarial e Ticket Pagamentos e a fintech de carteira digital Soma+.

A fintech oferece a eles uma gama crescente de serviços, hoje somando 40 em total, que deve incluir em breve atendimento personalizado usando a plataforma de inteligência artificial Watson, da IBM.

Além do suporte do grupo Ernesto Correa, a companhia tem também por trás a Stefanini, gigante de TI brasileira com forte presença no segmento financeiro, desde 2015 dona de 40% da empresa.

O faturamento da Saque e Pague em 2018 foi de R$ 91 milhões, um crescimento de quase 35% comparado ao período anterior. Para 2019 a previsão é crescer acima de 60% e investir R$ 50 milhões em segurança, tecnologia e em outras áreas.