Após reforma radical, emerge uma nova Telefônica. Foto: https://www.flickr.com/photos/cbnsp/

A Telefônica anunciou a criação de uma operação independente focada em computação nuvem, Internet das Coisas, segurança e Big Data, batizada de Telefónica Tech.

De acordo com informações do jornal espanhol El País, esse tipo de negócios tem crescido em média de 30% dentro da Telefônica. A expectativa é que a empresa independente agregue vendas novas de 2 bilhões de euros até 2022.

A Telefônica Tech será liderada por José Cerdán, que até agora era responsável pela área B2B da operadora como um todo.

A decisão pode parecer um pouco surpreendente, tendo em conta que no momento a Telefônica está fazendo um leilão de data centers.

Em fevereiro, o mesmo El País revelou que Brookfield, Digital Realty e Equinix estavam disputando os centros de dados, em um negócio estimado em US$ 600 milhões.

A Telefônica tem 25 data centers em nove países, sendo oito deles na Espanha e três no Brasil. 

Muitas operadoras estão reconsiderando sua estratégia para oferecimento de serviços de computação em nuvem.

O que parecia um mercado promissor no começo da data evoluiu de uma maneira desfavorável para os players de telecomunicações, que não conseguiram emplacar em um mercado cada vez mais concentrado em poucos players.

Em novembro, a Telecom Italia fechou um acordo com o Google, visando usar tecnologia da gigante americana de buscas nos seus data centers e criar uma companhia separada focada no mercado de computação em nuvem na Itália.

No Brasil, por exemplo, a Oi assinou em abril um acordo com a Oracle para usar tecnologia de nuvem da empresa nos seus próprios data centers, como a Telecom Italia parece ter feito agora.

Descrito pelas duas empresas como um “acordo inédito no mundo”, o projeto seria uma das maiores migrações de sistemas já realizadas na América Latina.

No final de outubro, a Oi deu o passo seguinte, anunciando que ia  vender pelo menos uma dezena de data centers no Brasil, como parte de uma estratégia mais ampla de se livrar de “ativos não estratégicos” e capitalizar a operadora para investimentos em novos desafios no seu negócio principal, como o 5G.

A criação da Telefônica Tech foi parte de uma grande sacudida na operação da operadora. 

A empresa decidiu unificar suas operações no México, Colombia, Venezuela, Chile, Argentina e Perú, criando uma empresa nova que deverá ser vendida, ter o capital aberto na bolsa ou receber novos sócios.

A decisão foi justificada pela instabilidade política e cambial na região. É uma mudança em uma estratégia de presença direta que já durava 30 anos.

No começo do ano a tele já havia vendido suas subsidiárias da Guatemala e de El Salvador, ambas na América Central, para a América Móvil, holding pertencente ao bilionário Carlos Slim e dona da Claro.

Daqui para frente, a Telefônica deve se concentrar em quatro mercados principais: Espanha. Brasil, Alemanha e Reino Unido, onde está 80% da receita da empresa, presente ainda em outros 10 países.