E-COMMERCE

Ameaçado, AliExpress faz liquidação

29/03/2022 05:50

Enquanto governo prepara restrições a importações de pessoas físicas, site chinês contra-ataca.

Los três amigos: Guedes, Bolsonaro e Hang. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O AliExpress, gigante de e-commerce chinesa, começou uma semana de promoções focadas no mercado brasileiro, com descontos de até 80% e frete grátis em produtos selecionados até a sexta-feira, 1 de abril. 

Em nota, a empresa fala que a ação visa “marcar seus 12 anos de operação no Brasil”, mas é um pouco difícil de acreditar que se trata só disso.

Afinal, no final da semana passada surgiu a informação de que o Ministério da Economia prepara uma medida provisória visando dificultar as vendas de empresas como Shopee, Wish, AliExpress e Shein no Brasil.

A MP pode incluir a tributação da importação por pessoas físicas independente do valor do produto comprado (hoje, é oferecida uma isenção para mercadorias até US$ 50).

A movimentação do governo surgiu depois de que um grupo de empresários, incluindo Luciano Hang, dono da Havan, e Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, esteve em Brasília reclamando do que consideram competição desleal da China.

Os críticos ao modelo de venda de produtos importados no Brasil por esses sites chamam as plataformas de “camelódromos digitais”. 

Eles reclamam ainda da possibilidade de pessoas físicas venderem no Shopee e no Mercado Livre, sem emitir nota fiscal. As plataformas também são acusadas de não se responsabilizarem pela procedência dos produtos vendidos.

Além dos empresários, a repressão às importações chinesas por pessoas físicas tem o apoio da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Associação Nacional dos Fabricantes Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) e do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP).

Uma tributação de todos os itens vindos de fora do país aumentaria o preço final dos produtos e o tempo para eles chegarem até o consumidor final no Brasil, que já é longo, sendo uma grande ameaça para o AliExpress.

Nas entrelinhas da nota divulgada à imprensa, é possível ver uma estratégia de defesa do AliExpress dos seus negócios no país.

Assim, as promoções terão um forte componente social, com R$ 8 milhões em descontos para usuários que fizerem indicações bem sucedidas de produtos do AliExpress, o que deve aumentar a visibilidade da marca.

A promoção terá ainda direito a uma campanha na TV e em redes sociais chamada “Farofa do Ali”, organizada em parceria com a influencer GKay, a Gessica Kayane, dona de 19,2 milhões de seguidores no Instagram.

Na sua nota, o AliExpress frisa que tem seis voos fretados semanais para o Brasil, além de um endereço no país para devolução e troca de itens e serviço de atendimento ao consumidor operado por nativos de língua portuguesa.

A nota do AliExpress não menciona em nenhum momento a ameaça sendo conjurada em Brasília, preferindo focar nos produtos oferecidos (um Xiaomi Redmi 9a 2GB por R$ 518, ou um robô aspirador de pó genérico por R$ 621, entre outros).

Se os chineses estão querendo aproveitar os últimos momentos de acesso menos restrito ao mercado brasileiro, ou se a campanha tem a intenção de fundo de tentar reverter a ameaça, só o tempo dirá.

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