Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser. Foto: divulgação.

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A Multilaser, uma das maiores empresas brasileiras do setor de eletrônicos, será a primeira investidora do Fundo Govtech, recém criado pela KPTL e pela Cedro Capital para investimentos com foco no segmento.

Segundo o site NeoFeed, a companhia escolheu patrocinar a vertical de educação e vai aportar até R$ 20 milhões no veículo, cujo plano é captar um total de R$ 200 milhões.

“É uma mescla de propósito e negócios. Estamos unindo o útil ao agradável. Há um mato alto gigante para ser cortado. E isso pode ajudar a destravar questões importantes para o país e para a própria Multilaser”, explicou Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, à publicação.

Além de um assento no comitê que irá analisar os investimentos do fundo, a Multilaser poderá exercer outros papéis. Isso inclui desde a agenda comercial das startups e o uso da infraestrutura da companhia até a possibilidade de testar ou embarcar soluções em produtos da empresa.

Segundo Ostrowiecki, o fato de muitas govtechs serem focadas em serviços e softwares abre espaço para a integração com equipamentos da Multilaser. No caso da educação, os tablets da companhia.

Para ele, saúde e segurança são outras áreas críticas no setor público que podem fazer sentido nessas parcerias.

Na área da saúde, a companhia tem oxímetros, medidores de pressão, vestíveis e recursos de internet das coisas. Já em segurança, o executivo destaca as câmeras com transmissão ao vivo.

Além dessas verticais, o fundo irá olhar para outros sete segmentos: habitação e urbanismo; infraestrutura e mobilidade; saneamento, meio ambiente e defesa civil; cidades inteligentes; legal e regulatório; cidadania; e gestão pública.

O foco da tese são startups que já têm um produto e geram receita, com o plano de destinar 60% dos R$ 200 milhões a investimentos iniciais. Os 40% restantes serão reservados a rodadas subsequentes nas empresas que mais se destacarem no portfólio.

Os cheques devem variar entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões e a ideia é investir entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões ao longo da vida dessas companhias.

Após mapear mais de 600 projetos, o fundo já analisa em estágio avançado 15 startups e espera destravar os primeiros acordos até o fim do ano. A estimativa é fechar esse portfólio com uma base de 20 a 25 startups.

Segundo uma pesquisa realizada pelo BrazilLAB, hub de inovação centrado em govtechs, e o Banco de Desenvolvimento da América Latina, o Brasil tem cerca de 1,5 mil startups com potencial para atuar junto ao setor público.

O estudo também mostra que 90% delas iniciaram suas jornadas com recursos próprios e modestos: para 38%, a verba ficou entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Esse é o terceiro aporte da Multilaser no mundo do venture capital. Anteriormente, ela já investiu R$ 10 milhões no WE Ventures, fundo de incentivo ao empreendedorismo feminino em tecnologia, além de ser uma das cotistas do fundo da Qualcomm Ventures, centrado em internet das coisas.

Criada em 1987 para ser uma pequena importadora de copiadoras, a Multilaser se tornou um dos maiores players de eletrônicos e suprimentos de informática nacional, com 20 marcas, 3 mil funcionários e R$ 3 bilhões em faturamento.

Hoje, a companhia conta com um catálogo de mais de 5 mil itens distribuídos em mais de 40 mil pontos de venda pelo país. 

Sua estrutura conta com um escritório em São Paulo, um complexo industrial em Extrema, Minas Gerais, uma fábrica na Zona Franca de Manaus e um laboratório de engenharia na China.