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IBM compra Red Hat por US$ 34 bilhões

29/10/2018 08:15

A aquisição é a segunda maior da história da TI corporativa, atrás da fusão entre Dell e EMC.

 

Ginni Rommety promete liderar em nuvem. Foto: Divulgação.

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A IBM anunciou a compra da Red Hat por US$ 34 bilhões neste domingo, 28, em um movimento visando reforçar sua posição em um mercado de computação em nuvem cada vez mais dominado por AWS e Microsoft.

É uma tacada e tanto da IBM: de longe a maior aquisição da história da companhia e 63% a mais do que o valor das ações da Red Hat na Bolsa. 

A aquisição é também a segunda maior da história da TI corporativa, só atrás da fusão de US$ 67 bilhões entre Dell e EMC em 2016.

A Red Hat é dona de uma distribuição Linux que roda em servidores de data centers e outras tecnologias usadas para construir as chamadas “nuvens híbridas”, nas quais são orquestradas diferentes provedores de nuvem pública, privadas e infraestruturas próprias.

A empresa faturou US$ 2,9 bilhões no último ano fiscal, uma alta de 21%. 

A IBM é uma empresa muito maior, com um faturamento esperado de US$ 80 bilhões neste ano. O problema é que a empresa está em queda: em 2011, faturava US$ 107 bilhões. 

A IBM chegou a emendar nada menos do que seis anos de quedas trimestrais no faturamento, uma tendência revertida com pequenas altas ao longo de três trimestres, seguida mais recentemente por novas quedas.

"A aquisição da Red Hat é um game changer. Muda tudo sobre o mercado de nuvem. A IBM vai se tornar o provedor número 1 de nuvem híbrida", garante a CEO da IBM, Ginni Rometty, em comunicado.

Já faz algum tempo que a IBM vem tentando se reinventar como uma fornecedora de nuvem, analytics e inteligência artificial, nichos de mercado que a empresa define como "imperativos estratégicos".

A ideia é diminuir a importância de setores tido como pouco promissores como hardware, incluindo os tradicionais mainframes, ainda uma fonte importante de receita.

Open source é um tema em alta em 2017. A Microsoft levou o repositório de código aberto GitHub por US$ 7,5 bilhões e a SalesForce pagou outros US$ 6,5 bilhões pela MuleSoft, dona de uma tecnologia de integração de aplicações, dados e devices. 

A Cloudera e Hortonworks, rivais no mercado de processamento de big data fizeram uma fusão de US$ 5,2 bilhões.

A IBM, no entanto, tem um histórico muito maior de participação na comunidade de desenvolvimento de software open source do que a Microsoft, empresa que, aliás, era tida como a grande inimiga desse tipo de abordagem tecnológica até poucos anos atrás.

Agora é ver se as energias combinadas de Red Hat e IBM conseguem promover uma alteração significativa no cenário de computação em nuvem.

Quando o assunto é Infraestrutura como Serviço (IaaS), AWS e Microsoft estão disparadas na frente na área de líderes, seguidas de longe pelo Google, de acordo com o Quadrante Mágico do Gartner.

O setor é liderado pela AWS, com 44,2% do mercado. A lista segue com Microsoft (7,1%), Alibaba (3%) e Google (2,3%).

A IBM, por ter uma fatia menor que 2%, se encaixando na categoria “Outros” (que soma 41,2% de participação).

Talvez a mudança não venha de uma mudança no campo de IaaS, que parece estar já definido, mas do surgimento de um novo paradigma tecnológico.

Nos últimos anos, começou a ganhar força uma tendência definida como "edge computing", pela qual parte do processamento de dados das organizações estaria voltando para as pontas.

Em um mundo de máquinas conectadas, faria mais sentido processas a informação em lugar mais próximo, de olho em benefícios de latência, entre outros (isso é chave para um carro autônomo, por exemplo).

Especuladores profissionais comentam que um dos motivos que pode ter levado a AWS a comprar a Whole Foods, em um negócio de US$ 14 bilhões que deixou muita gente coçando a cabeça, foi justamente ter acesso a muitos locais diferentes nos quais fosse possível colocar máquinas mais próximas dos clientes.

As empresas mais focadas em hardware com HP e Dell também podem ser revigoradas pela demanda de equipamentos.

As empresas de automação industrial, que no final das contas são as que entendem de coisas, também podem ter um papel, assim como players que ainda nem existem. É muito cedo para contar a centenária IBM como carta fora do baralho.

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