Chris Ryu.

A HT Micron, joint venture brasileiro coreana de semicondutores instalada em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, trocou de comando no começo do ano, com o lado asiático do negócio assumindo a cabeça da operação.

Saiu o CEO Ricardo Felizzola, que havia presidido a companhia desde a fundação, por dois termos de três anos, e assumiu o coreano Chris Ryu, um executivo experiente na indústria de chips sul coreana.

Segundo o Baguete pode averiguar, os quadros médios da empresa em nível de diretorias e gerências seguem os mesmos.

A alteração foi feita sem alarde, mas no final do ano passado Felizzola já havia adiantado a possibilidade em uma entrevista publicada pelo Jornal do Comércio, no qual revelava que os últimos anos haviam sido “difíceis” e que uma “dança das cadeiras” seria “natural”.

No final de janeiro, o site do jornalista Políbio Braga chegou a publicar que a saída do cargo de CEO teria sido acompanhada pela saída da sociedade.

Procurado, Felizzola negou por meio da assessoria de imprensa da HT Micron que tenha saído da composição acionária da empresa.

A HT Micron é uma joint venture do Grupo Parit (que por sua vez une as gaúchas Altus e Teikon) com a coreana Hana Micron,

A fábrica foi inaugurada em 2014 com direito à presença da então presidente Dilma Rousseff. 

A HT Micron é um case de sucesso da política industrial dos governos petistas, que tinha no fomento do setor de semicondutores no país um dos seus pontos chave.

O investimento do BNDES  na unidade foi de cerca de R$ 50 milhões para equipamentos, com outros  R$ 35 milhões do Finep para o desenvolvimento dos processos.

A construção do prédio, bancada pela Unisinos, universidade ao lado da qual a empresa se instalou, consumiu outros R$ 10 milhões, também financiados pelo BNDES. 

As instalações são alugadas para a HT, com opção de compra em 10 anos.

Na época, a meta divulgada pela HT era chegar uma a capacidade máxima de 360 milhões de chips/ano, com o qual poderia atender a cerca de 25% da demanda nacional por estes produtos – um mercado que movimenta cerca de US$ 25 bilhões no país.

A crise econômica pode ter alterado esses planos. Pelo menos foi assim na Altus, a maior empresa do lado brasileiro da parceria por trás da HT Micron.

No final do ano passado, a companhia cortou 30 funcionários no Rio Grande do Sul e mais uma diretoria no organograma, com a saída de Mário Weiser, diretor de novos negócios e um profissional com 30 anos de casa.

Com isso, a Altus fica com um quadro de profissionais de 200 pessoas, frente aos 400 na folha em 2014 e apenas uma diretoria focada em internacionalização de negócios.

Em 2015, o faturamento da companhia caiu 9%, para R$ 97 milhões, com um prejuízo de R$ 14 milhões.