TÁ OK?

Governo atrasa venda da Serpro e Dataprev

30/06/2021 05:18

Ficou para o meio da campanha eleitoral de 2022. Vai sair? Parece que não.

"E a privatização do Serpro e Dataprev, ó". Foto: Isac Nóbrega/PR.

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O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), responsável pela política de privatizações do governo federal, anunciou um novo cronograma, pelo qual a venda das estatais de TI Serpro e Dataprev ficou para o segundo semestre de 2022.

Até então, Serpro, Dataprev e Telebras tinham vendas projetadas para o primeiro semestre de 2022.

Com a mudança, as estatais ficaram no final da fila das privatizações, o que indica talvez que o governo não tenha tanta prioridade em vender elas no final das contas.

Empresas como o Trensurb e CBTU, que operam trens na região metropolitana de Porto Alegre e Rio de Janeiro, ficaram para o último trimestre de 2021, junto com a Ceasa Minas e o Porto de Vitória.

Os Correios ficaram para o primeiro trimestre de 2022, e Telebras, Nuclep e EBC para o segundo trimestre de 2022.

A nova data significa que em tese o governo quer vender o Serpro e Dataprev em meio ao que promete ser uma das campanhas eleitorais mais disputadas da história do país, isso supondo que o presidente Jair Bolsonaro não sofra um impeachment até lá.

Mesmo para um analista político menos experiente, parece difícil de acreditar que as privatizações ocorram.

A venda do Serpro e da Dataprev é questionada pelo Tribunal de Contas da União, que apontou a necessidade de “atenção especial” ao processo, devido ao fato das duas empresas “suportarem a infraestrutura tecnológica de órgãos relevantes da administração pública federal, bem como alguns dos principais sistemas de informação e programas de governo relacionados ao processo de transformação digital no Brasil”.

No final de 2020, o BNDES fechou um contrato de R$ 7,93 milhões para um time de consultorias de peso para fazerem a modelagem do processo de privatização do Serpro e da Dataprev. 

Estão envolvidas a Accenture, uma das maiores consultorias de negócios do mundo, junto com a Burson-Marsteller, multinacional do ramo de relações públicas, e a Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Falcão Advogados.

O escritório de advocacia foi um das pioneiras no assunto privatização no Brasil, tendo sido o primeiro a abrir uma área focada em setores regulados nos 90 focado em empresas nacionais e estrangeiras interessadas nas vendas de empresas públicas da época.

O consórcio está fazendo um “estudo de mercado, diagnóstico setorial nacional e internacional, estudo regulatório, proposição de alternativas de desestatização, modelagem da desestatização e outros serviços profissionais especializados necessários à estruturação e à implementação dos processos de desestatização”. 

Talvez seja a hora de colocar os estagiários para tocar o projeto.

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