Rodrigo Glauser, delivery manager na FH. Foto: divulgação.

Temos visto uma profunda transformação digital nos negócios. Todos os setores da economia foram e serão ainda mais impactados pelas novas tecnologias, como blockchains, machine learning, aplicativos com microsserviços em nuvem e uma imensa variedade de dispositivos que interligam tudo isso.

No setor financeiro, uma revolução está para ocorrer com a regulamentação do Open Bank, que possibilitará a pulverização do mercado de crédito, ao permitir a entrada de novas fintechs no mercado, que possuem uma abordagem 100% digital e proveem APIs (protocolos de comunicação aberto, usando REST) para que os ecossistemas se conectem a esses serviços.

Tradicionalmente, temos um padrão de formatação para troca de arquivos em lote entre sistemas, regulamentado pela Febraban e complementado com especificidades de cada um dos bancos que seguem esse padrão.

O Open Bank traz uma camada de tecnologia padronizada, permitindo maior concorrência na oferta de serviços financeiros. Além disso, possibilita transações online, ao invés dos lotes defasados da formatação CNAB, o que faz com que boletos sejam registrados no banco, com uma simples chamada de API, e o link para impressão e distribuição do PDF do boleto por SMS ou e-mail.

Na Inglaterra, com a regulamentação da padronização dos serviços financeiros, ocorreu um boom no número de fintechs e “startups unicórnios”. O Reino Unido, agora, é alvo de interesse de grandes investidores. Uma recente pesquisa, feita pela Technation, mostra que a abertura e padronização atraiu um número maior de investidores no Reino Unido e tornou o país uma potência em fintechs.

No site openbanking.org.uk, por exemplo, já é possível se conectar a diversas fintechs pelo App Store, com serviços de transações online e gateways de pagamento. Vários setores ligados também foram positivamente impactados, o chamado ecossistema financeiro, que é uma grande teia de sistemas conectados.

Por outro lado, os bancos tradicionais têm aumentado os investimentos em inteligência artificial, além de oferecer um leque cada vez maior de serviços digitais e integração em tempo real, ao invés do tradicional, já defasado, processamento em batch, via arquivo CNAB no padrão Febraban.

A criação do protocolo de segurança usa livros razão descentralizados, sem a intermediação de um órgão central, mais conhecido como blockchain, e resolve antigos problemas da humanidade, como escrituração de terras, contratos, uso como moeda e representação de um ativo físico.

Essa inquebrável cadeia de blocos exige uma grande rede de autenticadores, que empregam uma bruta carga de processamento, para resolver a complexidade do algoritmo de validação do blockchain e são remunerados por isso. Agora, surge o novo modelo de negócios blockchain-as-a-service, que encurta a distância no uso dessa tecnologia integrado a outros sistemas. 

No varejo, a acirrada guerra das “maquininhas” trouxe competitividade ao setor, balançou grandes players, que navegavam em um céu azul e os levou a se reinventarem. Nesse mercado, que já virou commodity, levar um serviço mais especializado para a ponta com inovações frequentes é o que vai perpetuar o negócio.

Se toda essa batalha não bastasse, vemos, agora, com a pandemia da COVID-19, o valor de mercado de bancos e fintechs despencar, e junto com isso vem à tona uma nuvem cinzenta de incertezas. O fato é que, com a demanda imposta pelo isolamento, a economia e a sociedade foram transformadas.

Os meios digitais e virtuais passaram, mais do que nunca, a ser demandados. As “maquininhas” já não são mais tão necessárias. A guerra dos checkouts eletrônicos, pagamentos online e emissão de cartões virtuais traz novas formas interativas, que vão desde a criação da conta digital, emissão de cartões até as cobranças, com o envio de checkouts online (links de pagamento) ou emissão de boletos.

Nos próximos anos, devemos enfrentar uma pressão maior de oferta de crédito vindo de diversas fontes, assim que o Open Bank for regulamentado pelo Banco Central. Isso deve acirrar o leilão na concessão de microcrédito nas plataformas digitais e permitir a entrada de novos players no mercado. Se o business principal da sua empresa não é financeiro, pode passar a ser, por meio de um mercado mais aberto aqui no Brasil.

O mercado de softwares empresariais não ficou de fora dessa mesma evolução, em termos de inovações, que o mercado financeiro trouxe. A SAP inovou em tecnologia e processos para trazer um ERP inteligente ao mercado, que já é amplamente utilizado e traz ganhos visíveis de produtividade, perante o antecessor SAP ECC.

A robusta suíte de aplicações SAP permite que equipes de TI customizem seus sistemas, para que possam integrá-los a novos serviços financeiros. Isso até funciona bem, se não fossem todas as complicações que um sistema próprio possui.

Adicionar novos serviços bancários, se ajustar às novas regulamentações e se manter atualizado exige um grande esforço de testes, validação e customização do sistema. Demanda, também, investimentos em projetos de TI que, muitas vezes, geram uma saída de caixa inesperada.

É um pesadelo pensar na reconciliação de cartão de crédito, boletos, transferências e demais movimentações das contas bancárias. Além disso, demanda dezenas de pessoas para manter a contabilidade empresarial conciliada com as transações e saldos das contas nas instituições financeiras.

As últimas pesquisas, que mostram o direcionamento do mercado de TI e o que os clientes pretendem comprar de software, revela uma ascendente adoção do mercado à subscrição de serviços na nuvem (SaaS). Em uma eminente situação de negócios, o pensamento cloud-first pode encurtar o tempo de implantação em até 70%.

Com esse pensamento, sempre que surgem novas demandas das áreas de negócios, soluções cloud que fazem a especialização, por meio de plugins ou addons com o ERP, devem ser as primeiras a serem avaliadas. Tanto pelo fato de trazerem um retorno mais rápido quanto por permitirem o teste de novos modelos de negócios, e, se não der certo a iniciativa, esse é um erro passageiro e com baixo impacto financeiro.

Também existe o aspecto de atualizações de formatos e regulamentações, que são realizadas automaticamente, de forma transparente para o cliente. Por fim, há também uma grande vantagem financeira em ter o desembolso, com base no consumo, e não precisar provisionar recursos e contratar serviços que, muitas vezes, inviabilizariam o negócio.

Com sorte, teremos um mercado mais aberto. Sigamos o exemplo do Reino Unido, a fim de propiciar um ecossistema financeiro diversificado e inteiramente conectado, para que as transações aconteçam da forma mais rápida e segura possível.

*Por Rodrigo Glauser, delivery manager na FH.