SINAL DOS TEMPOS

Acabou a Cebit, super feira de TI

30/11/2018 12:40

Feira de tecnologia que marcou época foi cancelada, em meio a queda de público e desinteresse de expositores.

Hora da saída de cena para a Cebit. Foto: Cebit.

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A Cebit, uma feira com 33 anos de história e no passado um dos maiores eventos do calendário de tecnologia, não existe mais.

A Deutsche Messe, gigante de eventos alemã, decidiu cancelar a edição prevista para junho de 2019 e acabar com o evento, devido à queda no número de visitantes e de expositores interessados.

Segundo a imprensa alemã, exibidores âncora como IBM, SalesForce e Huawei já haviam sinalizado que não iam participar, enquanto outros nomes como as alemãs Volkswagen e SAP sinalizaram que iam permanecer, mas reduzir o espaço comprado. 

Nessa situação, a feira poderia gerar um prejuízo de € 5 milhões em 2019 e a organizou optou por fechar a lojinha.

Durante o final dos anos 90 e no começo dos 2000, a Cebit era um barômetro do setor de tecnologia, com 850 mil visitantes anuais no evento, realizado em Hannover.

A última edição, em julho deste ano, foi uma sombra disso, com 120 mil participantes.

A Deutsche Messe ainda tentou uma virada no jogo nesta última edição, que foi transferida de março para junho, tentando aumentar a distância entre o Mobile World Congress em Barcelona e o  Consumer Electronics Show em Las Vegas.

Com a nova data, no começo do verão europeu, a Cebit tentou emplacar uma aura mais descontraída (uma roda gigante foi instalada na feira), no que um executivo definiu como uma combinação de “feira, conferência e evento de networking tudo em um”.

A pauta tinha todos os assuntos quentes do momento, como internet das coisas blockchain, robôs, cloud e outras.

Num movimento que é um pouco um sinal dos tempos, algumas partes da Cebit serão incorporadas dentro da Hannover Messe, feira do setor de indústria realizada em abril na mesma cidade.

A avaliação da Deutsche Messe é que os expositores, e o dinheiro, que iam para a Cebit estão indo para eventos verticalizados, nos quais fornecedores tentam atingir as indústrias, no lugar de esperar que as indústrias venham até eles.

Um caso claro é todo o universo relacionado com a indústria 4.0, dentro do qual faz mais sentido para uma empresa fornecedora de tecnologia estar na Hannover Messe do que na Cebit.

Com o fim da Cebit, termina também um capítulo da história da TI do Brasil, em particular no quesito “tentativas de projeção internacional”.

A Softex, agência semi estatal de promoção de exportação de software brasileiro, organizou 16 missões de empresas nacionais para o evento, no qual as companhias dividiam um stand coletivo.

Até onde a reportagem do Baguete tem notícia, a última missão desse tipo foi em 2015, com sete integrantes.

Foi uma sombra do ano de maior destaque do Brasil: 2012, quando o país foi o país parceiro da Cebit.

Na condição de país parceiro, se espera uma participação maior de expositores, o que efetivamente aconteceu. 

Foram 130 expositores brasileiros, entre empresas privadas com uma ajuda de subsídios e órgãos diretamente ligados ao governo como Petrobras e Embrapa.

A então presidente Dilma Rousseff (PT) esteve presente e passeou pela feira com a chanceler alemã, Angela Merkel. O inevitável Carlinhos Brown também foi. 

A participação brasileira foi precedida de uma versão brasileira da Cebit, a Bits, organizada em Porto Alegre. A primeira foi em 2010. Cinco anos depois, sem nunca ter chegado a emplacar de verdade, a feira foi encerrada, antecipando o destino da nave mãe. 

 

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