PRIVATIZAÇÃO

TCE-PR suspende venda da Celepar novamente

Objetivo é preservar a fiscalização de contratos com a Indra para o tratamento de dados sensíveis.

29 de janeiro de 2026 - 17:36
Foto: Divulgação

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O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) estabeleceu uma nova decisão cautelar com a suspensão imediata da venda da Celepar, companhia de tecnologia da informação e comunicação do estado, que passa por um processo de privatização desde o final de 2025.

A determinação atendeu ao pedido da 6ª Inspetoria de Controle Externo, responsável pela fiscalização sobre contratos ligados ao tratamento de dados sensíveis da área de segurança pública, conforme reporta a Gazeta do Paraná.

Segundo o órgão, o objetivo é evitar que privatização avance antes da conclusão das análises técnicas que incluem contratos entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e a Indra Brasil, operação da multinacional espanhola de tecnologia e consultoria, referentes à gestão e ao tratamento de dados de segurança pública. 

A Sesp acredita que o processo pode oferecer riscos de exposição, transferência indevida ou até interrupção de sistemas críticos que reúnem informações sensíveis da população.

Segundo o TCE-PR, atualmente, existem cerca de 114 sistemas possivelmente envolvidos na transição e que estão classificados como manipuladores de dados de segurança pública.

O órgão também reforça a existência de inconsistências entre informações fornecidas pela Sesp e análises técnicas da própria Celepar. 

Agora, a privatização da estatal estará novamente suspensa até a conclusão da fiscalização.

HISTÓRICO

Autorizado em primeira votação em novembro de 2024, o projeto de lei da transferência de controle da Celepar para a iniciativa privada recebeu emendas, voltou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e seguiu para uma segunda votação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em regime de urgência.

Após a segunda aprovação, o processo entrou em fase de leilão, quando se esperava concluir a venda da companhia até o final de 2025.

Em agosto do ano passado, o governo do Paraná abriu para potenciais compradores uma série de informações técnicas, financeiras e operacionais sobre a companhia. 

Na época, foi determinado que era preciso fazer um depósito caução de R$ 350 mil para acessar os dados e que o vencedor da licitação levará R$ 2,6 bilhões em 134 contratos ativos com o governo.

A proposta tem sido alvo de críticas por parte da bancada de oposição, que afirma que a Celepar é uma empresa estratégica para o Paraná por armazenar e processar dados pessoais e coletivos fundamentais, bem como informações sensíveis do próprio estado.

Apoiados pelo Ministério Público, os parlamentares acreditam que o controle dos dados de saúde, segurança pública e informações fiscais poderão cair nas mãos de fundos e empresas sem compromisso com a população, apresentando risco de mau uso, vazamentos e comercialização indevida.

A preocupação levou a oposição a solicitar ao TCE-PR que o processo de venda, hoje em sigilo, seja tornado público, preservando apenas documentos de risco real à segurança da população e dos sistemas estratégicos.

Recentemente, o TCE-PR havia liberado a privatização da Celepar, retirando uma medida cautelar em sentido contrário após a estatal de tecnologia paranaense apresentar documentos solicitados.

Com a liberação, os estudos e o cronograma haviam sido retomados, seguindo com a publicação do edital.

A iniciativa estava suspensa desde setembro do ano passado devido a uma liminar que pleiteou estudos mais profundos sobre os impactos financeiros e sobre a proteção de dados da estatal.

Fundada em 1964, a Celepar foi a primeira empresa pública estadual de Tecnologia da Informação do Brasil. Entre 2021 e 2024, a receita da estatal aumentou 75%, chegando a R$ 495 milhões. 

No mesmo período, o EBITDA mais que quadruplicou, para R$ 151 milhões, e a margem saltou de 18 pontos porcentuais para 30,6%. Hoje a Celepar é a segunda maior empresa estadual de TI do País, atrás apenas da Prodesp, de São Paulo.