Stone aumentou um pouco sua aposta pela Linx. Foto: Pixabay.

A Stone fez uma nova proposta para adquirir a Linx, elevando o valor para R$ 6,283 bilhões, um aumento de 3,9% sobre a oferta anterior.

A empresa também mexeu nos termos oferecidos aos três sócios fundadores, que haviam sido criticados na primeira oferta, reduzindo os valores oferecidos pelas chamadas cláusulas de non compete, que impedem os profissionais de irem trabalhar em concorrentes.

Na nova oferta, Alberto Menache receberá R$ 95 milhões ao longo de um período de cinco anos, comparado a R$ 105 milhões ao longo de três anos na proposta original.

Menache, o único dos sócios que seguirá na empresa, terá ainda uma remuneração de R$ 5 milhões por um ano de trabalho após o fechamento do negócio, a mesma oferecida antes.

Em troca do valor menor, a Stone ampliou o que Menache pode fazer fora da empresa. 

As atividades agora incluem participação em conselhos e a liberdade para investir em startups de tecnologia que não compitam diretamente com a Stone. 

O non-compete dos outros dois fundadores também foi reduzido. Nércio Fernandes receberá R$ 75 milhões ao longo de cinco anos, e Alon Dayan receberá R$ 15 milhões no mesmo período.

No total, os pagamentos anuais a serem feitos a todos os três fundadores de maneira combinada foram reduzidos em 65% comparado aos termos anteriores.

Na primeira oferta, os fundadores recebiam um total de R$ 1,2 bilhão, valor que incluia R$ 800 milhões pelo 14% das ações detidas pelo trio, mas também R$ 400 milhões extra em salários e cláusulas de não competição, fazendo o negócio ser bem melhor do que para o acionista normal.

Na nota em que divulgou a nova oferta da Stone, a Linx também atualizou o status da negociação com a Totvs.

Segundo a empresa, os membros independentes do Conselho de Administração entendem que "ainda carecem de elementos importantes para ter uma melhor compreensão de todos os benefícios e riscos da proposta da Totvs".

O que vai acontecer ainda está indefinido. O Brazil Journal, que acompanha o mercado financeiro, aponta que as ações da Linx aumentaram 4% e estão negociando a R$ 37, acima do valor de R$ 35,10 apresentado agora pela Stone, sugerindo que “o mercado espera espremer mais suco dessa laranja”.

Os acionistas podem estar esperando uma nova proposta da Totvs, que está com uma proposta envolvendo mais ações do que dinheiro, ou a aparição de uma proposta da Rede, que também estaria interessada na Linx e preparando uma oferta de R$ 7 bilhões.

No tema do dinheiro pago aos fundadores,  que muitos criticaram como um prêmio de controle disfarçado, a nova proposta da Stone não deve acalmar os ânimos.

Ouvido pelo Brazil Journal, Fabio Alperowitch, gestor da FAMA Investimentos e o crítico mais vocal da estrutura da oferta, disse que tudo segue igual.

“Não muda nada... Exatamente a mesma estrutura. Nosso questionamento nunca foram os montantes; a ética segue a mesma”, disse Alperowitch, cujo fundo tem 3% da Linx e defende um “processo competitivo aberto”.

A Totvs também fez críticas à condução do processo por parte da Linx, afirmando em notas que a companhia fez uma interrupção unilateral das negociações, o que depois foi contestado pela Linx. Uma complicação extra vem das relações pessoais difíceis entre altos executivos da Totvs e Linx. Uma novela.

Seja como for, os acionistas da Linx vão ter que eventualmente se decidir sobre que negócio faz mais sentido para a companhia a médio e longo prazo (53% das ações da Linx estão em circulação na bolsa, com investidores individuais). 

Analistas ouvidos pela Exame apontam que a venda para a Stone teria mais “sentido estratégico”, uma vez que a nova empresa terá uma operação vertical, com negócios em software e pagamentos, formando uma oferta conjunta mais competitiva.

Quando do anúncio da primeira oferta da Stone, a recepção foi unanimemente positiva por parte dos analistas. O Brazil Journal chegou a se perguntar “porque a oferta não foi feita antes”.

Por outro lado, no caso da oferta da Stone o acionista da Linx receberá basicamente dinheiro agora (cerca de 30% acima do valor de mercado da Linx antes da oferta) e não participa tanto desse crescimento futuro.

Já na operação da Totvs, o acionista da Linx tem a chance de ser sócio dos benefícios da união das empresas, ainda que receba menos dinheiro em um primeiro momento. 

A diferença no caso é que seria uma fusão mais clássica, solidificando a presença da Totvs como líder no mercado brasileiro de sistemas de gestão com uma vertical de varejo, segmento que não é o forte da empresa.

A combinação de Totvs e Linx criaria uma empresa com faturamento de R$ 3,2 bilhões, a maior da América Latina na área de software as a service, segundo apresentação da Totvs, justificando a combinação dos negócios (provavelmente, a Totvs já é hoje a maior em SaaS na América Latina, mas tudo bem).