Você vai contratar a AWS? Senhor, não senhor! Foto: Pexels.

O Pentágono anunciou que vai revisar a mega licitação de US$ 10 bilhões para contratação de serviços de computação em nuvem, para avaliar se o processo não feito para favorecer a AWS.

A medida veio do novo secretário de defesa, Mark Esper. Já circulavam rumores de que o presidente Donald Trump, um crítico público da Amazon, queria dar um jeito de bloquear o processo.

A disputa pelo chamado Joint Enterprise Defense Infrastructure, ou mais malandramente, JEDI, estava na reta final, devendo ser decidido até setembro. Brigavam pelo contrato ainda AWS e Microsoft, com a grande favorita sendo a AWS. Agora, não há mais prazos.

O JEDI está rodeado de polêmica desde que foi anunciado, em 2018. Houve muita gritaria contra o método escolhido, de entregar todo o contrato a um fornecedor só no lugar de fatiar o mesmo entre diversos players.

Oracle, SAP, General Dynamics, Red Hat, VMware, Microsoft, IBM, Dell Technologies e Hewlett Packard chegaram a fazer uma frente única para barrar o processo. Microsoft, IBM Oracle, Dell e HP eram os líderes, uma vez que tinham mais a ganhar. 

Outras empresas como a SAP queriam simplesmente impedir que o conceito "winner take it all" virasse a regra. Essa movimentação não trouxe resultado. 

A Oracle redobrou a aposta, iniciando uma batalha judicial para provar que o processo estava orientado para a AWS, o que também não deu em nada. Foi aí que a briga ganhou contornos políticos, com a entrada em campo de Donald Trump.

Dois senadores republicanos influentes, Marco Rubio, da Flórida, e Ron Johnson, do Wisconsin, fizeram movimentos para atrasar o fechamento do contrato, alegando que houve pouca competição. 

O assunto chegou aos ouvidos de Trump, que é um inimigo declarado da Amazon. 

Isso porque Jeff Bezos, dono da Amazon e da AWS, é também proprietário do Washington Post, jornal que faz uma cobertura crítica do governo Trump e já foi alvo do presidente em diversas ocasiões, assim como a própria Amazon.

Por outro lado, entre as companhias do Vale do Silício, frequentemente acusadas por Trump de serem pró-democratas e sabotarem seu governo, a Oracle é uma das que tem melhor relação com o presidente.

A co-CEO da Oracle, Safra Katz, é considerada próxima do governo Trump. A executiva foi inclusive parte do time de transição da nova administração, tendo sido considerada para uma posição de alto escalão. 

Segundo a Bloomberg, Katz teria jantado com Trump em abril, quando a Oracle ainda estava na corrida pelo JEDI.