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Nubank paga R$ 36 milhões para Anitta

03/11/2021 06:30

Valor será pago por cinco anos de participação no conselho de administração.

Anitta, a menina do Rio. Foto: Divulgação.

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A participação da cantora Anitta no conselho de administração do Nubank vai custar R$ 36 milhões nos próximos cinco anos à fintech.

O valor do contrato apareceu nos documentos enviados pelo Nubank para a SEC, órgão regulador do mercado de ações americano, como parte das movimentações preliminares à abertura de capital da empresa.

Quem cavou a informação foi o site especializado Brazil Journal, que leu a documentação enviada à SEC e à CVM, o regulador equivalente no Brasil.

Curiosamente, os valores relativos ao contrato com Anitta foram abertos apenas para a SEC para quem o Nubank disse que o pagamento é por “serviços de marketing e publicidade”.

Já para a CVM, o Nubank fala apenas em um contrato de prestação de serviços e direito de uso de nome com a Rodamoinho, a produtora da qual Anitta é dona, sem nem mencionar o nome da cantora.

O dinheiro é, de qualquer forma, trocado para o Nubank, que pretende captar US$ 3,6 bilhões com a abertura de capital, o que daria à empresa um valor de mercado maior do que bancos tradicionais como Itaú ou Bradesco.

A decisão de esconder (mal) o jogo pode ter que ver a polêmica causada depois do anúncio da nomeação de Anitta como conselheira do Nubank em junho.

O Nubank fez bastante barulho com a contratação de Anitta, que, de acordo com a empresa, vai participar de reuniões trimestrais com os outros seis conselheiros e a diretoria do Nubank para discutir “decisões estratégicas” do futuro do banco digital. 

Christiane Junqueira, cofundadora do Nubank, não poupou elogios na sua declaração na nota de divulgação, afirmando que Anitta “levou o funk brasileiro a outro patamar e criou uma marca mundial gigantesca” e é “uma empresária de sucesso que vai nos ajudar a aprimorar ainda mais os produtos para nossos clientes”.

O conselho da Nubank é uma coleção de pesos pesados.

Tem cadeira no conselho entre outros Jacqueline Reses, ex-presidente da fintech Square e atual presidente do conselho consultivo econômico do banco central dos Estados Unidos; Daniel Goldberg, ex-presidente do Morgan Stanley no Brasil e Luis Alberto Moreno, ex-presidente do BID.

Poucos dias atrás, a empresa anunciou a entrada de Muhtar Kent, que foi nada menos que CEO da Coca Cola por 10 anos.

Nesse contexto, críticos apontaram que a contratação de Anitta é uma “jogada de marketing” e que a artista não teria influência real no futuro da companhia.

É uma posição que subestima a importância da imagem para uma marca como o Nubank frente ao público final da empresa (vale apontar também que um ex-CEO da Coca Cola certamente é uma “jogada de marketing” frente a outros públicos).

Existe também o contexto da contratação, que pode ser entendida como uma resposta a uma gafe de Cristina Junqueira ao participar do influente programa de entrevistas Roda Viva da TV Cultura no ano passado.

Na ocasião, respondendo sobre a ausência de negros no alto escalão da empresa e sua opinião sobre programas de quotas, Junqueira disse que o nível de exigência para se trabalhar no banco é alto e que não dá para “nivelar por baixo”.

A fala repercutiu mal nas redes sociais e o Nubank, até então uma marca de reputação ilibada, foi acusado de racismo, em meio a uma tempestade dessas que talvez agora poucas pessoas se lembrem. 

O banco publicou uma nota de desculpas assinada pelos três cofundadores dias depois.

Para Anitta, a contratação pela Nubank é mais um passo em uma carreira corporativa, que se desdobra em paralelo com o crescente sucesso internacional da cantora de 28 anos (dos seus 53 milhões de seguidores no Instagram, um terço já é de fora do Brasil).

Em 2019, Anitta foi contratada como líder de Criatividade e Inovação da Beats, uma cerveja da Skol voltada para o público jovem, que lançou também uma versão da bebida inspirada no funk carioca.

Meses antes, Anitta foi um keynotes do Universo Totvs, evento para clientes da Totvs, durante o qual explicou seu planejamento de carreira e as ideias para se transformar numa espécie de marca ambulante. 

“Eu não penso em ser cantora por muito tempo. Eu penso que depois dos 30 eu já vou estar quase parando, diminuindo. Aí eu pretendo trabalhar com outros projetos que hoje eu dedico uma parte do meu tempo, como a área empresarial, de consultoria e criação para terceiros”, disse a cantora na ocasião.

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