É difícil ser a galinha dos ovos de ouro. Foto: Pixabay.

A IBM decidiu vender a divisão Watson Marketing para o fundo de investimento Centerbridge Partners, que vai lançar até o final do ano uma companhia independente para vender o portfólio de soluções para marketing da Big Blue.

O curioso é que o anúncio da IBM sobre o assunto não menciona nenhuma vez a palavra Watson, em um esforço deliberado para proteger a plataforma de inteligência artificial que é vista como a galinha dos ovos de ouro da empresa.

Assim, a nota fala que a Centerbridge Partners comprou ferramentas de automação e analytics, além de um sistema de gerenciamento de conteúdo baseado em Inteligência Artificial, um conjunto de ferramentas que a empresa vendia como “Watson Marketing”.

O texto lista que fundo comprou softwares como Campaign Automation, Customer Experience Analytics e Content Hub, que até pouco tempo atrás eram chamados Watson Campaign Automation, Watson Customer Experience Analytics e Watson Content Hub.

A nova empresa, ainda sem nome, será inclusive chefiada por Mark Simpson, que na nota é definido como “Vice President, Offering Management and Strategy for the IBM Marketing Platform and Commerce offering” e até pouco tempo atrás era, bem, “VP Offering Management, Watson Marketing and Watson Commerce”.

Provavelmente, a IBM não vendeu para um fundo o direito do uso do termo “Watson”, o que justificaria todo o malabarismo para não mencionar o nome da plataforma no comunicado. 

Também ajuda o fato de que a Big Blue não querer atrair atenção negativa para o produto, ou dar a impressão que ela está dando para trás no que parecia ser a estratégia de levar IA para todo tipo de aplicações - ou pelo menos, por colocar o buzzword “Watson” em todas suas ofertas.

Em dezembro do ano passado, já havia vendido softwares mais antigos focados na área de marketing como a plataforma de e-commerce IBM WebSphere Commerce, junto com outras tecnologias, incluindo o clássico Lotus & Notes. 

Quem levou na ocasião foi a indiana HCL, pagando US$ 1,8 bilhão. Agora, a IBM decidiu não abrir o valor da venda para a Centerbridge Partners, no que parece de novo uma decisão de comunicação orientada a proteger a marca Watson.

Falando para a CRN americana, o vice presidente de comunicações corporativas da IBM, Ed Bardini, contextualizou a saída do mercado de marketing e e-commerce dizendo que eles não são mais “core” para um modelo de vendas integrado focado em inteligência artificial, blockchain e cloud.

As coisas mudam rápido. Ainda em dezembro do ano passado, após a venda de parte dos produtos de marketing para a IBM, Mark Simpson escreveu um post para o blog da companhia, falando sobre a continuidade da linha de produtos trazendo AI para a área de marketing.

"É sempre difícil a decisão de se separar de produtos, nós também acreditamos que é crítico aprimorar o foco para construir o futuro", resumiu Simpson. E tanto.

WATSON HEALTH

Outra área da oferta Watson com problemas é o Watson Health, na qual a IBM fez uma troca de comando no final do ano passado.

O principal problema é que a empresa parece estar tendo problemas para entregar a promessa de uma revolução no tratamento de câncer por meio do Watson for Oncology.

A publicação especializada em saúde Slat fez uma extensa matéria sobre o assunto, apontando falhas nas indicações de tratamento por meio da plataforma.