Linx, de malas prontas para Wall Street? Foto: Pixabay.

A Linx está planejando a abertura de capital na Nasdaq, bolsa de valores americana especializada em tecnologia, para fazer uma captação de recursos na ordem de US$ 250 milhões a US$ 300 milhões.

A informação é do Estado de São Paulo, citando fontes próximas ao assunto

Em fato relevante divulgado depois da notícia de ter sido publicada, a Linx afirmou que avalia "todas as alternativas disponíveis no mercado", inclusive uma abertura na Nasdaq, mas que não há uma "decisão definitiva".

A estratégia do grupo, as fontes do Estadão, é atrair investidores estrangeiros que não investem em mercados emergentes.

Os rumores embalaram mais ainda as ações da Linx, que em um ano já subiram mais de 70% – o valor de mercado da empresa é hoje de R$ 5,7 bilhões.

As ofertas na Nasdaq costumam atrair investidores especializados em tecnologia mais dispostos a pagar pelo crescimento à frente do que os fundos tradicionais que investem em localmente nos mercados emergentes.

No centro da empolgação está o Linx Pay, recém lançada operação de pagamentos de empresa, com a qual a Linx pretende se tornar uma competidora de PagSeguro e Stone, que, aliás, já fizeram captações de recursos bem sucedidas na Nasdaq.

O site Brazil Journal, especializado na cobertura de economia, aponta que a Linx tem feito a seguinte conta para os investidores: se converter metade dos R$ 250 bilhões que passam pelos seus sistemas de gestão em pagamentos processados pela Linx Pay, seu faturamento pode triplicar nos próximos anos. 

Cobrando 1,3% por transação, o novo empreendimento se traduziria em uma receita anual de R$ 1,6 bilhão – mais de duas vezes o faturamento atual.

O negócio, no entanto, é apenas uma promessa. Num evento realizado esta semana pelo Bradesco BBI, a Linx afirmou o valor total processado (TPV) pela Linx Pay está em R$ 850 milhões e vem crescendo 20% a cada semana.

A título de comparação: a Stone processou R$ 86 bilhões em 2018 – 72% a mais que em 2017 – e a PagSeguro, R$ 76 bilhões, o dobro do ano anterior.

A Linx está se movendo para incrementar os números. Nessa mesma semana, anunciou que vai pagar até R$ 50 milhões pela Hiper, uma startup de soluções de gestão na nuvem para micro e pequenos varejistas sediada na pequena Brusque, uma cidade de 125 mil habitantes no norte de Santa Catarina.

Como a Linx costuma fazer, o valor será dividido entre R$ 17,7 milhões à vista, mais até R$ 32,3 milhões entre 2019 e 2021, condicionados ao cumprimento de metas.

Em nota, a Linx explicou que os objetivos estão ligados à penetração na base de clientes da Hiper das soluções de TEF e Linx Pay, as apostas da gigante de software de gestão para o varejo para ingressar no nicho de pagamentos.

“O racional é aumentar ainda mais o mercado endereçável de Linx Pay Hub com uma proposta de valor diferenciada através da combinação das soluções de meios de pagamento com um software de gestão em nuvem para micro e pequenos varejistas”, afirma a Linx em nota.

O que a empresa quis dizer com essa frase é que a justificação da compra da Hiper é fazer uma venda conjunta do sistema de pagamentos com software de gestão, uma técnica manjada tanto por operadores de pagamento como por fornecedores de sistema de gestão.

Fundada em 2012, a Hiper tem 15 mil clientes ativos em 2 mil municípios e mais de 600 canais de distribuição. O faturamento bruto da Hiper esperado para 2019 é de R$ 13 milhões.