A capacidade de produção média mensal de uma única telha é de 1,15 kWh/mês. Foto: divulgação.

A Eternit, companhia brasileira especializada em soluções para o setor de construção civil, assinou acordo de cooperação técnica com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para testar a primeira geração de telhas fotovoltaicas de concreto do Brasil.

No laboratório solar da instituição, serão feitos os testes avançados de durabilidade e exposição ao ar livre do novo produto já aprovado pelo Inmetro, que devem ter resultados após dois ou três meses.

Segundo a empresa, o objetivo é comprovar o desempenho e a durabilidade das telhas quando submetidas à exposição ao ar livre em ambiente litorâneo, garantindo uma longa vida útil, acima de 20 anos.

A avaliação deve ser realizada em aspectos como produção de energia, rendimento, sujidade, perdas e segurança.

"É uma parceria técnica muito promissora. A UFSC tem um laboratório de sistemas fotovoltaicos que é referência no Brasil e que nos permitirá estudar o funcionamento do produto em condições reais de utilização", ressalta Luiz Antonio Lopes, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Eternit.

O produto em teste se chama Tégua Solar e há ainda outro modelo feito de fibrocimento, o Eternit Solar, em fase final de desenvolvimento para futura homologação.

Os dois produtos foram apresentados pela primeira vez ao público em agosto do ano passado, durante a feira Intersolar South America, em São Paulo.

“Nosso laboratório está empenhado em dar o suporte científico e tecnológico do qual a Eternit necessita para desenvolver esta linha de produtos", afirma Ricardo Rüther, coordenador do laboratório solar da UFSC.

Segundo a Eternit, esta é última fase de avaliação da durabilidade do Tégua Solar antes de chegar ao mercado para o consumidor final.

A expectativa é que o produto seja instalado em projetos-piloto e comercializado ainda no segundo trimestre deste ano, o que deve expandir a produção industrial da empresa.

Sua fábrica em Atibaia, São Paulo, terá capacidade para produzir cerca de 90 mil telhas solares de concreto por mês e estará capacitada a produzir também o modelo em fibrocimento.

A Eternit também conta com o Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP como aliado na evolução do projeto e com uma empresa privada, que não teve o nome informado, para o fornecimento dos inversores, que são a interface entre as telhas e a instalação elétrica da edificação.

Com uso residencial, comercial e industrial, as telhas fotovoltaicas têm 9,16 Wp e medem 365 x 475 mm. A capacidade de produção média mensal de uma única telha é de 1,15 kWh/mês.

A estimativa da Eternit é que essa tecnologia permita entre 10% e 20% de economia no valor total em relação aos módulos solares e às estruturas convencionais montadas em cima de telhados comuns.

De acordo com a empresa, o número de telhas fotovoltaicas necessário para uma residência depende de fatores como a quantidade de energia que se deseja produzir, a localização do imóvel, inclinação e orientação com relação ao sol.

Uma residência pequena pode ter em torno de 100 a 150 telhas fotovoltaicas de concreto, por exemplo, com o restante do telhado feito com telhas comuns.

Com 80 anos de atuação, a Eternit tem cerca de dois mil colaboradores diretos e indiretos, oito fábricas próprias, uma mineradora e cinco filiais de vendas, além de 15 mil revendedores por todo o Brasil.

O Grupo Eternit é uma companhia de capital aberto desde 1948, com ações na Bolsa de Valores de São Paulo.

A UFSC é uma universidade pública com mais de 40 mil alunos e o laboratório de energia solar tem sede no Sapiens Parque, no extremo norte de Florianópolis. São cerca de 50 pesquisadores dedicados ao tema..